Em um cenário de juros e inadimplência baixos e estímulos à renegociação por causa da pandemia de coronavírus, os prazos para pagamentos de empréstimos nunca estiveram tão altos.

Dados do Banco Central mostram que os novos financiamentos concedidos aos consumidores em dezembro do ano passado, último dado disponível, tiveram um período de pagamento de 61 meses, em média, abaixo apenas dos meses de pico da pandemia, como junho e julho. Esses dados contabilizam somente o crédito com recursos livres, ou seja, excluem financiamentos imobiliários. Para se ter uma ideia, há cinco anos, essa média estava em 52 meses.

O que explica esse aumento nos prazos? Essa extensão nos parcelamentos está relacionada principalmente aos estímulos dados à renegociação de dívidas em meio à explosão de casos da infecção no país. Em meados de março, em resposta à crise, o CMN (Conselho Monetário Nacional) aliviou as regras de provisionamento pelos bancos, abrindo espaço para essas negociações.

As instituições financeiras são obrigadas a deixar separados recursos de forma a garantir o pagamento futuro de dívidas que correm risco elevado de inadimplência. O nome dessa reserva é provisão. A flexibilização dessa obrigação estimulou renegociações e derrubou o percentual de calotes, o que abriu espaço para um aumento nos prazos.

“Os prazos fazem parte de todas as condições favoráveis que o sistema financeiro teve em 2020, por conta das medidas do Banco Central para a pandemia”, explica Isabela Tavares, economista da Tendências.

Outro ponto importante é a forte queda na taxa básica de juros. A Selic iniciou 2020 em 4,25% ao ano, o que já era o menor patamar da história, e foi reduzida a 2% ao longo do ano passado.

Quais os prazos médios para diferentes categorias de crédito? Em geral, quanto menor o risco para o banco da linha de financiamento, maior o prazo que a instituição financeira está disposta a conceder. Veja abaixo o número médio de parcelas para as principais categorias de empréstimos (dados de dezembro de 2020:

  • Crédito pessoal não consignado: 35,5 meses
  • Crédito consignado: 84 meses
  • Crédito para aquisição de veículos: 46 meses
  • Crédito para aquisição de outros bens: 24 meses
  • Cartão de crédito parcelado: 12 meses
  • Financiamento imobiliário: 342 meses

Afinal, vale a pena parcelar? Em quais casos? Tudo depende do dinheiro disponível e de que tipo de financiamento você vai tomar. Para a maior parte das pessoas, financiar um imóvel ou um veículo, por exemplo, é a única forma de adquirir esses bens.

Se a compra é de um eletrodoméstico ou de roupas, é bom pensar duas vezes antes de tomar financiamentos com prazos muito longos.

Lembre-se de que não é incomum que compras por impulso sejam seguidas por arrependimento e uma conta a pagar que consome uma parte importante do seu orçamento pelos próximos meses. Para evitar que as dívidas no cartão ou crediário virem uma bola de neve, uma boa dica é quitar as dívidas antigas antes de contrair novas.

Além disso, é importante lembrar que o rendimento de investimentos em renda fixa caiu bastante nos últimos meses. Em 2016, quando a taxa básica da economia estava acima de 14% ao ano, planejadores financeiros aconselhavam parcelar as compras e deixar recursos rendendo em fundos conservadores, que acompanham juros — desde que, é claro, você tivesse esse dinheiro disponível. Esse não é mais o caso hoje, com a taxa a 2% ao ano.

 

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