Um dos gestores mais experientes e bem-sucedidos do mercado financeiro no país decidiu adotar uma estratégia definida como gradualista de aumento das posições em ações, com foco no mercado americano, neste momento de choque causado pelo coronavírus.

Essa é a estratégia de Luis Stuhlberger, o gestor do famoso Fundo Verde, da Verde Asset Management, presente em sua carta mensal de análise da economia e dos mercados em fevereiro. É uma leitura que inclui os acontecimentos mais recentes, incluindo a queda abrupta das cotações do petróleo nesta segunda-feira (dia 9).

“Conscientes de que o item (i) ainda está longe de ser resolvido – especialmente porque os Estados Unidos fizeram uma opção política por demorar em testar as pessoas – é que temos adotado uma estratégia gradualista, de aumentar as posições em ações do fundo aos poucos, focando no mercado acionário americano, que consideramos o mais resiliente e que deve voltar primeiro, quando as condições acima tiverem sido preenchidas”, escreveu.

O item (i) a que se refere o gestor é um dos três pilares que sustentam a visão de Stuhlberger e sua equipe desde o início do atual processo. Esse primeiro item é a avaliação de que os mercados tendem a estabilizar conforme as taxas de crescimento do número de novos casos desacelerem. Os outros dois pilares são: (ii) conforme as temperaturas no Hemisfério Norte subam, a doença deve refluir; (iii) a reação de política pública, seja monetária, seja fiscal, tem um papel importante em mitigar pânicos no mercado.

O que disse Stuhlberger sobre a disputa do petróleo? “Os impactos negativos do coronavírus já são notícia ruim suficiente, mas a eles se juntou o choque deflacionista trazido pelo colapso do preço do petróleo (…) Os efeitos secundários dessa queda, especialmente nos mercados de crédito globais, são preocupantes”, diz a carta.

Segundo Stuhlberger, “não faltavam razões para agressividade de política monetária global, e esta será mais uma.”

“No médio prazo, é pouco provável que a aliança (entre Arábia Saudita e Rússia) seja retomada, e devemos conviver com preços mais baixos de energia, o que transfere renda do bolso dos países árabes para os consumidores do mundo ocidental. Mas no curto prazo é um choque adicional nos mercados, que já vêm em posição frágil.”

Como o Fundo Verde está posicionado? Dizem Stuhlberger e membros de sua equipe: “O fundo mantém por volta de 20% do portfólio alocado em ações no Brasil. A exposição em ações globais veio sendo aumentada ao longo do mês, e hoje também chega a 20% do fundo. As posições em juros se mantêm similares. Em moedas as alocações continuam pequenas, com destaque para a posição comprada em Libra contra o Euro.”

E qual foi o desempenho do Fundo Verde em fevereiro? E neste ano? O Verde teve uma rentabilidade negativa de 2,86% no mês passado, levando a uma perda acumulada de 3,04% em 2020. Nos mesmos períodos de comparação, o CDI teve alta de 0,29% e 0,67%, respectivamente. O Ibovespa caiu 22,37% neste ano.

Diz a carta do fundo: “O Verde teve perdas concentradas nas posições de ações, tanto no Brasil quanto no livro global, por conta da piora do cenário. Não houve ganhos relevantes no mês.”

O que é o Fundo Verde? Trata-se de um dos mais bem-sucedidos e mais longevos fundos hedge do país, com atuação nos mercados brasileiro e internacional de ações, renda fixa e moedas. O Verde acumula uma valorização superior a 17.300% desde o seu lançamento, em 1997. No mesmo período, a variação acumulada do CDI ficou um pouco abaixo de 2.200%. Tinha um patrimônio líquido médio nos últimos 12 meses de R$ 1,370 bilhão.

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