Com a volatilidade da Bolsa, o investidor que opta por manter uma fatia do portfólio em ações não quer saber de errar. Afinal, ele precisa de bons motivos para resistir à tentação de migrar seu capital para a segurança da renda fixa, cada vez mais atrativa com as remarcações da taxa Selic, que já está em 7,75% ao ano.

Por isso, a ajuda de especialistas que acompanham o mercado e sabem avaliar as empresas pode ser providencial na hora de escolher quais ações comprar ou manter. E as carteiras recomendadas das corretoras podem ser bons atalhos, ainda que não sirvam para todo mundo. Afinal, elas não levam em conta o perfil de cada investidor e o que ele já tem no portfólio.

Para novembro, o 6 Minutos analisou as carteiras recomendadas de 11 casas: Ágora, Ativa, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, MyCap, Órama, Toro, Warren e XP. Destacamos abaixo os papéis que obtiveram pelo menos 4 (quatro) indicações.

Em tempos de deterioração do cenário macroeconômico, faz sentido buscar papéis que de alguma forma estejam menos correlacionados com o ambiente brasileiro. Não por acaso, 3 dos 6 papéis que sobressaíram neste mês têm essa característica. Receita em dólar vinda de exportações e presença geográfica diversificada são alguns dos predicados que valem ouro neste momento.

Weg (WEGE3) – 5 indicações: Ágora, BTG, MyCap, Guide e XP

Mais uma vez destacada entre as recomendações, a Weg tem escopo de atuação muito amplo – a fabricação de motores é apenas uma de suas facetas. E sabe olhar para o futuro, já que algumas de suas atividades se relacionam com temas como eficiência energética e fontes renováveis, o que coloca a companhia ainda mais em evidência nestes tempos de valores ESG.

Isso foi valorizado pela Guide, que enxerga na Weg um modelo de negócio inovador e sustentável, “que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia e produtos com menor impacto ambiental, como sua linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica. A empresa é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica”, escreve a corretora.

A MyCap destaca as vantagens e oportunidades trazidas à empresa por sua exposição internacional. “A companhia desenvolve soluções para atender as necessidades voltadas à eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica e possui operações industriais em 12 países e presença comercial em mais de 135 países. Isso eleva sua atratividade e dilui riscos específicos regionais e de câmbio”, diz a corretora. “Ampliando a presença nos EUA, ela poderá se beneficiar dos estímulos de investimentos na área de infraestrutura.”

Já o BTG exalta as características da Weg que a tornam mais defensiva em um ambiente de volatilidade, como a exposição ao dólar, os altos níveis de retorno e a posição de liderança no mercado nos diversos segmentos em que atua. “Vemos a Weg como um dos melhores nomes a serem expostos em meio às atuais condições de mercado”, conclui.

Vale (VALE3) – 5 indicações: Ágora, Ativa, Órama, Elite e XP

Os preços do minério de ferro andaram para trás em outubro: no fim do mês, a tonelada da commodity negociou a US$ 112, uma queda de 6% sobre setembro. E isso depois de cair 15% sobre agosto. Não é de se espantar, portanto, que a Vale, uma das maiores produtoras dessa commodity do mundo, tenha tido um desempenho comprometido. “Mas, apesar da forte queda dos preços de minério de ferro, ainda acreditamos que a Vale seja uma forte geradora de caixa, mesmo considerando os patamares atuais”, diz a XP, que mantém a recomendação de compra para o papel.

Os múltiplos atrativos são outro ponto que chamou a atenção da XP. “Em nossa opinião, a Vale está negociando a um múltiplo EV/EBITDA de 3,0x abaixo da média histórica, e esperamos que essa diferença caia adiante, frente a distribuição de dividendos diante da forte geração de caixa, melhores práticas ambientais, sociais e de governança.”

A Ativa acredita que a demanda da China pelo minério deve ser menor que na primeira metade do ano, em razão não só da desaceleração das atividades do setor de construção no país, mas também das limitações na produção de aço, causadas por restrições ambientais. “Assim, há uma maior possibilidade de enxergarmos o preço da commodity abaixo dos níveis atuais nos próximos períodos, porém ainda em patamares muito confortáveis para a companhia, favorecendo a geração de caixa e distribuição de proventos”, escreve.

Itaú Unibanco (ITUB4) – 4 indicações: Ativa, Genial, BTG e Guide

Maior banco privado do país em termos de carteira de crédito, o Itaú teve bons resultados em relação a 2020, apesar da fraca base comparativa. Contribuíram para essa alta, principalmente, o aumento de participação na frente digital, o incremento na receita com tarifas e o bom momento do mercado de capitais.

“Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor”, prevê a Guide.

O setor passa por diversos desafios, como a concorrência com fintechs e bancos digitais, o open banking (que obriga os bancos a compartilhar informações com outras instituições, a pedido do cliente, eliminando barreiras de entrada) e a alta da CSLL de bancos (de 20% para 25%). Apesar disso, a Guide vê motivos para recomendar o papel, como a cisão de participação na XP, a perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos e, ainda, possíveis aquisições, já que o Itaú tem um bom histórico nesse sentido.

A perspectiva do BTG também é otimista. O banco observa que a carteira de crédito do Itaú cresceu acima do esperado no primeiro semestre e o ânimo segue positivo até 2022. “Com isso, aliado a maior inflação/Selic04 e linhas rotativas ganhando cada vez mais espaço no mix de crédito, esperamos que o crescimento da margem financeira em reais acelere no 2S21. Podemos ver alguma pressão sobre as receitas de serviços devido ao aumento da concorrência, em linhas como serviços de conta corrente, cartões e gestão de ativos, mas inadimplência e as provisões ainda estão sob controle. Vemos as ações negociando a um múltiplo atraente.”

Lojas Renner (LREN3) – 4 indicações: Ativa, Ágora, Elite e Warren

A pandemia fechou lojas e fez a demanda por vestuário despencar em 2020. Mas o pior já passou, e a Lojas Renner vê as vendas em suas lojas físicas se recuperarem. A empresa, dona também das marcas Camicado, Youcom, Ashua e Realize, vai expandir ainda mais a sua já robusta rede, que deve ganhar outros 100 pontos de venda até 2025.

A leitura da Ativa é que a companhia está bem posicionada para capturar a retomada do varejo de moda, tanto em suas lojas físicas quanto nas plataformas digitais, que dialogam entre si por meio de uma estratégia omnichannel. “Isso permite que um cliente que comprou uma peça no site da companhia, faça a troca em uma loja física, criando oportunidades para novas vendas e entregando comodidade e uma melhor experiência ao cliente. Tais iniciativas são favorecidas pela forte capilaridade e ampla disposição geográfica das lojas físicas”, diz a corretora.

Além disso, com seu caixa reforçado em R$ 4 bilhões após a realização de um follow-on, a Lojas Renner fica bem posicionada para possíveis oportunidades de aquisições que possam surgir e que contribuam para sua estratégia de crescimento, seja em um movimento de consolidação com uma empresa que atua em seu core business ou em segmentos complementares.

Arezzo (ARZZ3) – 4 indicações: Ativa, Genial, BTG e XP

Líder no segmento de calçados brasileiros, a Arezzo tem feito aquisições que ampliaram muito o seu mercado endereçável, como a operação da Vans no Brasil, no fim de 2019, e a marca de moda masculina Reserva. “Elas reforçam sua estratégia de se tornar uma plataforma de marcas mais ampla, uma autêntica ‘house of brands‘, que atinge um mercado potencial maior“, explica a Ativa.

Mais de um terço de seu público pertence às classes A e B, o que proporciona resiliência em crises. Mas a compra da MyShoes, que comercializa bolsas e calçados a preços médios mais acessíveis, abre uma nova avenida de crescimento entre o público das classes B- e C+. “Já a Baw, sua aquisição mais recente, atinge um público mais jovem e tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Mas ainda não possui atuação no mercado de calçados, abrindo a oportunidade de aproveitamento da expertise da Arezzo para a criação de coleções voltadas ao estilo streetwear“, acrescenta a corretora.

A XP destaca que a Arezzo tem um modelo asset light, com rede altamente capilarizada de franquias e multimarcas (50%-60% das vendas) e terceirização da produção. “Esse modelo permite à empresa focar no desenvolvimento de seus produtos e na gestão/construção das suas marcas. Como resultado, a Arezzo entregou consistentemente uma sólida geração de caixa, com histórico de conversão FCF/EBITDA de 64% e um pagamento médio de dividendos de 80% do lucro líquido”, analisa.

Outra virtude exaltada pela XP sua capacidade de acompanhar as tendências dos consumidores com rapidez. Ela cria mais de 11 mil modelos por ano, que são selecionados antes de chegar ao consumidor final. “Isso é alavancado pelo rápido tempo médio de entrega da empresa de 40 dias, desde o design do produto até seu lançamento, com reabastecimento em 3 a 4 semanas”, descreve.

Gerdau (GGBR4) – 4 indicações: MyCap, Elite, BTG e XP

A Gerdau é uma das maiores produtoras de aços longos nas Américas, com mais de 20 milhões de toneladas/ano, e uma das maiores fornecedoras mundiais de aços especiais para o setor automotivo. Além disso, é a maior recicladora de sucata ferrosa da América Latina, transformando a cada ano 11 milhões de toneladas de sucata em aço. A XP incluiu a empresa em sua carteira recomendada, em vista do bom momento do mercado global de aço.

“Vemos a diversificação geográfica da Gerdau como um dos principais fatores para capturar os benefícios dos altos preços do aço em todo o mundo. Ela registrou números recordes operacionais referentes ao terceiro trimestre, refletindo o forte desempenho da indústria siderúrgica nas principais divisões de negócios da companhia”, escreve.

A propósito, a diversificação geográfica, que reduz a exposição da companhia a riscos domésticos, também é lembrada pela MyCap. “A Gerdau possui expressiva exposição ao mercado internacional, com destaque para os Estados Unidos, onde entendemos que a demanda por produtos da companhia está em crescimento, impulsionada pelos projetos de infraestrutura”, observa.

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