O que descobrimos: Tesouro direto, previdência privada e fundos de investimentos são os três principais caminhos citados por especialistas quando o objetivo é poupar para a faculdade dos filhos. Como acontece em qualquer aplicação, a estratégia escolhida vai depender do risco que você está disposto a correr e do prazo disponível para realizar o objetivo.

O mais importante é um bom planejamento e a disciplina de separar uma pequena parte do orçamento todos os meses. Quando antes esse esforço começar, menor será o sacrifício a ser feito todos os meses.

Vamos aos números:

Os gastos da educação superior podem ser elevados: se o seu filho resolver ser médico, por exemplo, o curso custa em média R$ 5 mil por mês no Brasil, segundo dados da rede internacional de cursos superiores Universia. No caso do curso de Direito, as mensalidades variam de R$ 350 a mais de R$ 4.000.

Mesmo no caso de um curso mais barato, como o de Administração, o valor pode alcançar R$ 1.000, em média, por mês. Outros gastos que devem ser levados em conta são livros, transporte, alimentação e moradia, dependendo da faculdade.

Quanto antes começar esse planejamento financeiro para a faculdade dos filhos, melhor será
Crédito: Shutterstock

Como começar então esse planejamento

Para começar esse planejamento, o ideal é organizar o orçamento da família o quanto antes, levando em conta os gastos atuais e estimando o custo médio com uma faculdade e a renda que você terá no futuro.

“O mais importante é gerar poupança, não importa como. Estabelecido isso, tem que determinar o prazo e o valor do objetivo financeiro”, afirma Fabio Gallo, professor de Finanças da PUC-SP e da FGV. “O principal é se propor a guardar dinheiro e cumprir o planejado”, reforça Willian Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.

Leia abaixo um pouco mais sobre as opções mais citadas por especialistas para cumprir esse objetivo.

Tesouro Direto

Ponto positivo: Simples e previsível

Ponto negativo: Por ser mais conservador, investimento tende a trazer rentabilidade mais baixa

Para quem prioriza menor risco e não tem muito tempo para administrar seus investimentos, uma boa opção pode ser o Tesouro Direto. “O custo é baixo, não há risco de crédito e você pode alocar o dinheiro com menos preocupação”, afirma Gallo, da FGV.

Se a opção for essa, o importante é “casar” bem o título escolhido com o momento de resgate do investimento. “Se o seu filho vai para a faculdade em 15 anos, escolha títulos com vencimento nesse prazo”, aconselha.

A aplicação é simples. Para negociar títulos públicos, você precisa em primeiro lugar ter conta em uma corretora. Atualmente, a maioria delas não cobra taxas (veja aqui: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas).

Com esse acesso em mãos, é muito fácil fazer as simulações do melhor título a comprar na própria página do Tesouro na internet: https://simulador.tesourodireto.com.br/#/inicio

Fundo de previdência

Ponto positivo: alíquotas menores de IR

Ponto negativo: produto mais complexo

Fundos de previdência são indicados por especialistas como uma das principais formas de aplicar para a faculdade dos filhos pelo fato de serem investimentos voltados ao médio e longo prazo e por oferecerem desconto no Imposto de Renda.

Eid, da FGV, lembra que se o investidor escolher a tabela regressiva, a cobrança do IR desses fundos vai caindo ao longo dos anos, e atinge o piso de 10% após uma década. A título de comparação, o piso da alíquota de fundos de investimento ou do CDB, por exemplo, é de 15%.

Se você tiver menos tempo para guardar os recursos, o mais indicado é a tabela progressiva, em que o IR cobrado vai aumentando até chegar nos 27,5%.

O cuidado a ser tomado nesse caso é que se trata de um produto bastante complexo, e fazer a escolha que melhor se adapte à sua necessidade requer uma pesquisa detalhada. Para facilitar, alguns bancos desenvolveram planos específicos para essa finalidade. “É um produto com mil detalhes. Tem a forma de contratação do plano, se é vitalício, se não é, com especificidades da forma de resgate. É necessário também ficar atento às taxas: dependendo da forma como a aplicação será resgatada, pode haver cobrança de taxas de saída. É preciso pesquisas muito bem”, diz Gallo.

Fundo de investimento

Ponto positivo: Maior potência de retorno

Ponto negativo: Exige do investidor conhecimento para montar uma carteira

Um fundo de investimento é, na prática, uma forma de terceirizar a administração do seu dinheiro, somando os seus recursos aos de outros investidores com objetivos parecidos com os seus.

“Em um fundo de investimento, você entrega a um gestor a administração do seu dinheiro. Se optar por esse tipo de aplicação, é bom ir acompanhando muito bem os resultados que o fundo apresenta ao longo do tempo. Não escolha um produto excessivamente arriscado”, afirma Gallo.

Vieira pondera, por outro lado, que dado o atual cenário de juros baixos, o investidor deve procurar um fundo que aplique pelo menos uma parte dos recursos em ações. “No longo prazo, devemos continuar a ter uma taxa de juros baixa, essa é a tendência. Então o melhor pode ser, por exemplo, um fundo multimercado [que mescla aplicações de vários mercados, como renda fixa, ações e câmbio]”.

 

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