Aquela expectativa de passar décadas dentro da mesma empresa — com carteira assinada, benefícios e previdência garantida — já está mais para lenda urbana do que realidade. Hoje, com modelos de trabalho mais flexíveis e os altos níveis de informalidade e desemprego no Brasil, as oscilações de salário ao longo da carreira têm se tornado cada vez mais comuns. Como então garantir um planejamento previdenciário minimamente consistente quando a remuneração é incerta?

Para Flávio Pretti, planejador financeiro CFP pela Planejar, o que muda no planejamento previdenciário das novas gerações é a necessidade de estar mais atento a alguns pontos que, segundo ele, norteiam o processo do que ele chama de kit investimento. São eles:

1. Pensar na previdência como um objetivo de investimento

Uma regra básica para quem quer começar a poupar é saber exatamente o que deseja e para quando. Com a previdência não é diferente. Estabelecer uma finalidade e um prazo para os investimentos destinados à aposentadoria é o primeiro passo para evitar que questões emocionais ou conjunturais te levem a tomar uma decisão inadequada quando estiver passando por um momento de aperto.

Afinal, ao saber que a previdência é um investimento de longuíssimo prazo e que tem como objetivo algo tão essencial quanto a garantia de renda no futuro, fica bem mais fácil se lembrar de que esse montante deve estar entre as últimas opções de socorro para as contas nos momentos difíceis.

2. Ter o costume de poupar também para projetos de curto prazo

Outro alerta do planejador financeiro vai para a importância de ter vários objetivos de investimento. Para ilustrar a questão ele usa a seguinte analogia: imagine que você tem um único balde com água e acaba o fornecimento de rua. Você, então, vai usar aquele balde de água para a primeira coisa que aparecer, seja a sua sede ou um incêndio.

Segundo ele, o ideal é que nessa situação em que as coisas estão mais fluidas você tenha um racional que te permita entender que é preciso ter vários “baldes com água”, cada um deles com uma destinação. Assim, correrá menos risco de perder dinheiro liquidando investimentos de longo prazo em momentos inoportunos.

3. Criar uma reserva de emergência personalizada

Quando as pessoas passam a trocar de emprego com uma frequência maior ou então assumem modelos mais autônomos de trabalho, fica mais difícil garantir que haverá renda todos os meses. Portanto, logo de cara, é necessário ter uma reserva financeira que trate disto e garanta alguma tranquilidade durante os tempos de crise.

Mas aqui há um detalhe importante: de acordo com Pretti, em um mercado com tantas configurações diferentes de trabalho, a chamada reserva de emergência não deve seguir as mesmas regras para todo mundo, ela deve ser feita “sob medida”.

Se você é um profissional de TI e sabe que não fica mais do que um mês desempregado, a sua reserva de emergência será uma. Agora, se você está em uma outra área de atuação e sabe que, entre a troca de um trabalho para outro, pode ficar três meses sem renda, terá que se preparar para segurar as pontas por mais tempo.

O recomendado costuma ser guardar entre três e 12 meses do valor do custo de vida, dependendo do quão segura é a sua fonte de renda.

4. Montar uma carteira de investimentos que reduza riscos

“Quando eu parto do princípio que o indivíduo está potencializando o risco na atividade que ele exerce para gerar renda e os seus investimentos são formas de preservar esse capital, a ideia geral deve ser diluir o risco”, afirma Pretti.

De acordo com o planejador financeiro, ao pensar em toda a carteira, e não só nos investimentos destinados à aposentadoria, o ideal é apostar na diversificação dos ativos para diminuir o risco de decisões futuras.

No entanto, os investimentos destinados à aposentadoria, em específico, admitem um pouco mais de risco. Se o plano é diminuir o ritmo ou parar de trabalhar em 2055, é possível lidar com uma volatilidade maior adquirindo ações ou um título do público de longo prazo, já que até lá são maiores as chances de que apareça uma boa oportunidade para a realização dos lucros.

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