Quem está entrando agora no mercado de trabalho deve enfrentar muito mais desafios para se aposentar do que as gerações anteriores. Hoje, com o aumento da informalidade e reformas realizadas na Previdência, o INSS passa longe de ser uma garantia de renda tranquila para o futuro. Por isso, especialistas recomendam buscar alternativas o quanto antes.

Mesmo com um cenário preocupante pela frente, 75% dos jovens brasileiros dizem que não poupam e nem investem dinheiro pensando na aposentadoria, segundo levantamento realizado em 2019 pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), em parceria com o SPC Brasil e o Sebrae.

As justificativas incluem: acreditar ser muito jovem para ter esse tipo de preocupação (27%), não ter dinheiro sobrando no final do mês (24%) e não saber como investir para a aposentadoria (21%).

Para entender como jovens estagiários e aprendizes podem se preparar financeiramente para o futuro, o 6 Minutos conversou com Marcia Dessen, planejadora financeira CFP pela Planejar.

Quando e como começar o planejamento? Para Dessen, quanto antes melhor. “Tem gente que acha que para poupar dinheiro precisa ganhar muito e isso é um engano”. Ela lembra que quando o assunto são metas de acumulação, é preciso ter em mente os três fatores capazes de acelerar esse processo.

O primeiro é o valor: quanto mais dinheiro você investir, mais rápido vai “crescer o bolo”. Como o jovem ganha muito pouco, essa já é uma vantagem que ele não tem.

O segundo é a taxa de juros: corresponde à rentabilidade que a aplicação vai ter. Quem não entende muito sobre investimentos e, portanto, não pode assumir grandes riscos também fica para trás nesse quesito.

O terceiro é o tempo: o período em que uma certa quantia estará rendendo juros. Isso depende exclusivamente do jovem que tem a possibilidade de poupar. Quanto mais cedo ele começar, menor vai será o valor necessário para atingir a meta.

Por onde começar? A planejadora financeira afirma que durante o período de estágio ou aprendizagem ainda é um pouco cedo para estruturar um plano de aposentadoria. A prioridade nesse momento seria cultivar o hábito de investir parte do salário, seja em aplicações ou em aprimoramento profissional.

A orientação é, sempre que possível, separar de 10% a 20% dos ganhos e aplicar todo mês. “Essa é um disciplina que é preciso ter desde o início. Muita gente fala que não investe nada porque não sobra dinheiro. Você não pode esperar sobrar dinheiro”, afirma Dessen.

No entanto, ela lembra que tudo depende do contexto. No casos de uma famílias de baixa renda, muitas vezes o dinheiro desse estagiário vai para as despesas domésticas. Assim, fica mais complicado falar em poupar dinheiro. Uma alternativa mais acessível seria apostar em cursos de curta duração que ajudem a desenvolver habilidades.

“Em um primeiro momento, o investimento que o jovem pode fazer é justamente na parte educacional, até ele se encontrar em uma área que goste, mas principalmente, que ele tenha talento para se destacar no mercado de trabalho. É uma forma de você ter um retorno no futuro”, explica.

Onde alocar o dinheiro? O desafio aqui é aprender a investir. Isso inclui criar o hábito de guardar dinheiro e entender como funciona cada tipo de investimento, duas coisas que podem levar um bom tempo. O segredo, então, é começar pelas opções mais simples e seguras. Veja opções:

Poupança: Enquanto estuda, quem está estagiando pode começar pela poupança, que não é o investimento mais rentável, mas não oferece grande risco. Não tem taxa de custo e possui rentabilidade de 70% da Selic, independentemente do valor da aplicação.

Tesouro direto: É bom e barato. Dá para investir em Tesouro Selic a partir de R$ 30 e não tem custo até R$ 10 mil por CPF — valor que os estagiários e aprendizes vão demorar um pouco para acumular. A taxa cobrada a partir daí também é relativamente  baixa (0,25% a.a.).

Fundos de ações:  Para os jovens que têm vontade de comprar ações, saber analisar o momento, os setores melhor impactados em determinado contexto e escolher as empresas dentro de cada setor ainda pode ser uma tarefa difícil. Além de todo o conhecimento envolvido, as taxas também podem ser caras. Por isso, os fundos são um bom começo. Eles contam com a administração de gestores profissionais e alguns oferecem taxas bem amigáveis.

Previdência Social: Contratos de estágio e aprendizagem não contam com recolhimento de INSS, mas pessoas acima de 16 anos podem realizar o recolhimento por conta própria, na condição de segurado facultativo. Ainda assim, não é recomendado que o estudante aloque na Previdência Social a pouca quantia que pode poupar, já que o retorno tende a ser muito pequeno no futuro.

Previdência privada: A princípio, Marcia diz que pode não ser a melhor opção. “Fundos de previdência tendem a cobrar taxas mais altas quando o valor de aplicação é pequeno.”

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