O aumento na presença das crianças na bolsa de valores criou novas dúvidas e inseguranças para mães e pais. Afinal, como ajudar seu filho a trilhar uma jornada em que tantos adultos já falharam? Caco Santos, planejador financeiro de pessoa física da Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), falou ao 6 Minutos sobre como pais e responsáveis podem ajudar suas crianças a desbravar o mercado de renda variável.

Quais os cuidados os pais devem ter? “Da mesma forma que os pais vigiam as atividades dos filhos nas redes sociais, eles devem acompanhar suas transações na bolsa de valores”, pontua Caco – até porque, corretoras que aceitam o cadastro de crianças, solicitam a apresentação dos documentos dos pais ou adultos responsáveis.

“É preciso explicar aos filhos que investir na bolsa não é sinônimo de ficar rico, demanda muito trabalho, estudo e disciplina – e, especialmente, que há a chance de eles perderem todo o dinheiro. A compra e venda de ações pode ser uma excelente ferramenta de educação financeira, se bem monitorada pelos pais”.

Como ajudar os filhos? “Questione-os”, resume Caco. “Pergunte a eles quais papéis irão comprar, o que eles estudaram antes de decidir, se pesquisaram o histórico da empresa e por que decidiram apostar naquela ação, qual seu objetivo a curto, médio e longo prazo. Assim, os pais estimulam as crianças a pensar e ter ciência de seus atos”.

Caco ressalta também a importância de preparar o filho psicologicamente para uma eventual desvalorização da ação: “Pergunte como eles reagiriam se perdessem tudo. Claro, supor e viver são coisas diferentes, mas a criança precisa estar pronta caso aconteça”.

O que fazer com os lucros? Caso a criança compre uma ação que se valorize e opte por vendê-las, o planejador financeiro sugere que parte do lucro seja guardado para reinvestir ou como reserva. A outra parte, ele aconselha que seja destinada a comemoração. “Do ponto de vista cognitivo, a comemoração é muito importante para reforçar o sentimento de um bom trabalho feito. Usem uma porcentagem do dinheiro para comemorar, seja tomando um sorvete, dando um passeio ou comprando alguma coisa”.

E se eu, pai ou mãe, não souber nada sobre investimentos? Aproveite a oportunidade para aprender também a investir. “Mas antes, procure entender as razões por trás da vontade do seu filho entrar na bolsa”, afirma Caco, ressaltando que muitos lugares pintam o mercado de ações como um caminho rápido para ficar rico. “Então, cabe a família procurar, junta, qual a melhor opção de corretora, de ações e quanto dinheiro pode investir”.

Afinal, a educação financeira é função da escola ou dos pais? Ambos. Nas escolas, a disciplina deveria foi adicionada como tema transversal na grade curricular, conforme as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – embora a pandemia tenha atrapalhado sua execução.

No entanto, Caco acredita que a educação financeira faça parte da educação de uma criança no geral. “Os jovens absorvem os comportamentos que veem em casa”. O planejador reforça o uso da mesada como ferramenta de educação financeira e ensinar as crianças a manejarem seu próprio dinheiro: “E deveria ser usada somente para isso” opina ele. “Não confundir com uma bonificação pelos trabalhos domésticos, ou ter tirado uma nota boa na escola”.

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