O aumento do número de investidores na bolsa de valores está mexendo com o mercado financeiro. A quantidade de contas mais do que triplicou em dois anos: passou de 1,046 milhão em abril de 2019 para 3,687 milhões no mesmo mês deste ano. Um dos reflexos disso é que as assessorias de investimentos estão começando a olhar com mais carinho para a abertura de escritórios fora do eixo Rio-São Paulo.

Neste ano, 48,68% das contas de pessoas físicas são de pessoas que moram nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e o restante estão espalhado pelo país. A região  Sudeste ainda é que concentra maior número de investidores, com 60,70% do total.

“A expansão para outras cidades é uma consequência de um processo que começou no eixo Rio-São Paulo. Com o aumento no número de clientes potenciais na bolsa de valores, as assessorias ganham mais espaço”, afirma Alexandre Cassiani, head de B2B da Guide Investimentos, empresa que tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Salvador.

A Aqua-Vero, por exemplo, tem escritórios em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Fortaleza, São José dos Campos, Presidente Prudente e Piracicaba, e recentemente abriu seis operações em Santana de Parnaíba, Guarulhos, Santos, Franca, Vitória e Curitiba. A Unnião Investimentos, com sede em Sorocaba, optou pela expansão para o Centro-Oeste, com a abertura de um escritório em Campo Grande.

Quais as regiões que têm mais potencial de crescimento? Para Cassiani, a região Sudeste e Sul são as mais desenvolvidas e Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda têm muito potencial de expansão. “No final das contas, todas as regiões do Brasil ainda têm boas oportunidades. Em São Paulo, o foco das assessorias tem sido o interior. O Nordeste é uma praça importante e que está pouco atendida, assim como o Norte e o próprio Centro-oeste, com exceção de Brasília”, afirma Cassiani.

Um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) deixa claro que, assim como os investidores estão mais presentes no Sudeste, o mesmo acontece com as instituições financeiras. Em 2020, existiam 246 na região, 11 no Sul, 5 no Nordeste, 5 no Centro-Oeste e 2 no Norte.

Número de instituições financeiras associadas à Anbima:

Região2017201820192020
Centro-Oeste 4445
Nordeste445
5
Norte2
2
2
2
Sudeste247
240
241
246
Sul10101211

Qual a vantagem da expansão? “Em termos de negócios, as pessoas começaram a perceber que em uma cidade média ou pequena, que não tem muitos escritórios, poderiam trazer boas oportunidades ao invés de entrar na concorrência dos grandes centros”, afirma Leandro Marchioretto, CEO da Amur Capital.

Além de ser um ótimo negócio para as empresas, Serrano considera uma forma importante de desenvolver o mercado financeiro em todo o país. “A expansão gera empregos e as empresas conseguem aumentar o faturamento”, afirma.

Faz sentido apostar em escritórios físicos na era da digitalização? Sim. Os especialistas dizem que muitos clientes ainda preferem o encontro físico e não abrem mão de uma conversa presencial.

“O medo do desconhecido faz com que muitos prefiram o presencial. Faz parte da cultura buscar o contato mais próximo. A pandemia acabou nos ajudando para que as pessoas entendam que o atendimento a distância é importante, mas não pode ser o único”, afirma Marcelo Serrano, gestor da Unnião Investimentos.

Qual a expectativa daqui para a frente? Que o setor continue expandindo, principalmente com a entrada de novos investidores na bolsa de valores. “Se mantivermos um cenário de juros baixos e uma inflação controlada, naturalmente as pessoas vão buscar investimentos com mais risco para compor a carteira, o que vai trazer ainda mais desenvolvimento para o mercado de assessorias de investimentos”, afirma Cassiani.

Para Marchioretto, a tendência é que o movimento também incentive a criação de novas empresas da área.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).