Saída dos fundos de renda fixa, forte entrada nos fundos de ações e multimercados.

Esse é o resumo do desempenho da indústria de fundos de investimento em 2020, comportamento que, ao que tudo indica, se manterá em 2021 na esteira do cenário de juros baixos e alta liquidez de recursos no mundo.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que, no acumulado deste ano até o dia 23 de dezembro, R$ 56,1 bilhões deixaram os fundos de renda fixa, que investem em títulos públicos com em dívidas de empresas.

Já os fundos de ações registraram entrada de R$ 69,6 bilhões, e os multimercado (que investem em ativos variados, como renda fixa e variável) ficaram no positivo em R$ 96,3 bilhões.

Crédito privado e juros baixos abalam renda fixa

A saída de recursos de fundos mais conservadores já vem ocorrendo há algum tempo. Uma parte dos investidores, preocupados com a drástica redução na taxa Selic, hoje na mínima histórica de 2% ao ano, vá vinham buscando outras opções, diversificando investimentos para garantir uma rentabilidade maior.

Há uma fator, entretanto, que abalou os ânimos principalmente do investidor muito conservador: o fato de alguns títulos do Tesouro Direto, conhecidos como porto seguro das aplicações, terem apresentado rentabilidade negativa neste ano.

“É um fator até emocional. Muita gente tinha investimento nesses fundos, e nem sabia que uma queda na rentabilidade desse tipo de aplicação poderia acontecer. Até o Tesouro Selic ficou negativo, e alguns investidores pensaram: não quero mais passar por isso”, diz Lucas Taxweiler, especialista em investimentos da plataforma Magnetis.

Para Hudson Bessa, especialista em fundos de investimentos e sócio da HB Escola de Negócios, a saída mais pronunciada da renda fixa tem muito mais a ver com o abalo sofrido na rentabilidade dos fundos que, além de títulos públicos, investem também em dívidas de empresas.

“Há uma saída estrutural da renda fixa, que tem a ver com o nível da taxa de juros. Mas não está tendo uma debandada. A saída da renda fixa está muito mais concentrada em fundos grau de investimento, que investem também em crédito privado e que sofreram um abalo na rentabilidade por causa da crise”, aponta.

Recuperação da bolsa impulsiona fundos de ações e multimercado

Os juros baixos e o bom desempenho da bolsa neste ano, particularmente nos últimos meses, impulsionou por outro lado a entrada em fundos que investem em renda variável, tanto ações quanto multimercados.

Os fortes estímulos concedidos por governos ao redor do mundo e redução de taxas de juros aumentaram a circulação de dinheiro entre investidores estrangeiros. Recentemente, a comprovação de eficiência de vacinas e a definição das eleições nos EUA elevaram a disposição de aplicação em mercados emergentes, como o Brasil.

“Os fundos de ações, em especial, tiveram uma entrada muito forte”, afirma Bessa. “Se você pegar os R$ 70 bilhões que entraram neste ano e dividir pelo patrimônio da virada do ano passado, que são R$ 500 bilhões, tem uma entrada de 15% de recursos. É muita coisa”.

Sobre as perspectivas para 2021, a avaliação dos especialistas é que a tendência é de manutenção do movimento observado no ano passado. “Dois fatores serão fundamentais: como será a vacinação e se o governo realizará as reformas estruturais, se topará o desgaste de fazer reformas antipáticas”, diz Bessa.

Vinicius Soares, diretor de produto da gestora de investimentos digitais Monetus, avalia que a retomada do consumo pós-pandemia já está embutida nos preços da ações. “Estamos bastante otimistas com o ano que vem. A partir do meio do ano que vem, as pessoas devem voltar a sair, voltar a viajar. As empresas de consumo farão frente a uma demanda reprimida bastante grande”, avalia.

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