Está no livrinho de recomendações a todos os investidores: diversifique suas aplicações para ter rendimentos sólidos e duradouros. Mas cada investidor tem um perfil e muitos não se sentem confortáveis com os riscos das aplicações em renda variável. Qual é a solução, então, para quem quer ampliar os rendimentos sem sair da renda fixa? E como fazer isso em um momento em que a taxa Selic, que serve de referência para a renda fixa, está no seu menor patamar da história, com perspectiva de que vai recuar ainda mais nos próximos meses?

Qual é o contexto? O primeiro fator a se ter em mente é que, inevitavelmente, colocar 100% do dinheiro em renda fixa significará um retorno menor no curto e médio prazos. Isso porque, como o 6 Minutos já explicou, os juros básicos (a Selic) da economia estão e devem permanecer baixos — e são eles que referenciam o CDI, índice usado para corrigir as aplicações de renda fixa. O Banco Central reduziu a Selic para 5,5% ao ano na última quarta (dia 18).

Se o investidor está tranquilo com essa realidade, é possível fazer um remanejamento dos investimentos dentro do escopo da renda fixa para tentar ampliar, mesmo que um pouco, os lucros.

Dentro da renda fixa, tem algo rendendo mais do que o CDI? Pedimos dicas para especialistas em investimentos para saber o que alguém com perfil conservador pode fazer para melhorar seus retornos.

Quem tem aplicações no Tesouro Direto e pretende manter uma parte da carteira investida em títulos do governo deve fugir dos que são pré-fixados. Como a taxa Selim está no menor nível da história, e com projeções de queda, não é interessante marcar o rendimento pelo momento atual.

“Busque títulos pós-fixados, indexados à inflação e, preferencialmente, com vencimentos mais longos”, recomenda Marc Forster, diretor da gestora Western Asset Management.

Para exemplificar o conselho: enquanto um título pré-fixado com vencimento em 2022 tem rentabilidade bruta de 5,89% ao ano, o título pós-fixado com vencimento em 2050 deve render 7,76% ao ano. São prazos muito diferentes, mas que mostram como títulos mais longos remuneram mais.

É importante lembrar que, para todos os casos, a cobrança de Imposto de Renda diminui o ganho final do investidor.

E quem é adepto dos títulos privados? Outra boa dica é sair do clássico CDB (Certificado de Depósito Bancário), especialmente se ele tiver uma rentabilidade comprimida. Esses títulos, emitidos por instituições financeiras, têm uma oferta variada, mas estão com a rentabilidade cada vez menor. A métrica de rendimento é um percentual do CDI — em tese, quanto mais seguro for o banco emissor, menor será esse percentual.

Muitos investidores continuam optando pelos CDBs por prezar a segurança — esses títulos são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que devolve ao investidor o valor aplicado caso a instituição emissora vá à falência. Mas existem outros títulos de renda fixa que também são cobertos pelo FGC e podem render mais que a média dos CDBs.

“Dois bons exemplos são os RDBs (Recibo de Depósito Bancário) e as LCs (Letras de Câmbio). Esses títulos são emitidos por financeiras, não por bancos, e por isso têm um risco maior”, diz Bernardo Pascowitch, fundador da Yubb, plataforma que busca e compara diferentes aplicações. Ele diz que o risco se traduz em percentuais maiores de rendimento, em relação ao CDI. “Não é difícil encontrar títulos pagando mais de 120% do CDI”, afirma.

Um CDB de um grande banco costuma pagar de 80% a 90% do CDI — após a cobrança de Imposto de Renda, esse rendimento se aproxima do da poupança.

Outra opção buscada pelos investidores são as debêntures. “Embora sejam ativos de renda fixa, essas aplicações não têm a garantia do FGC e são mais arriscadas“, alerta Pascowitch, da Yubb. Nessa outra matéria, explicamos o que são as debêntures e quais são os riscos de investimento.

E a liquidez? Todo investimento tem um prazo de vencimento, mas alguns títulos oferecem liquidez diária — ou seja, a possibilidade de resgatar a aplicação a qualquer momento. Porém, essa disponibilidade tem um preço. As aplicações em renda fixa que têm melhor rentabilidade, a exemplo dos RDBs e das LCs, têm vencimentos mais longos e não oferecem liquidez diária.

Portanto, o investidor tem que fazer escolhas. Optar por um rendimento maior pode significar abrir mão do resgate daquele dinheiro em curto prazo. “A tendência é que os investidores pensem, cada vez mais, em longo prazo. A dica é sempre analisar o que faz sentido para os seus propósitos”, aconselha Pascowitch, da Yubb.

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