A pandemia do novo coronavírus e os ruídos da cena política provocaram muita instabilidade no mercado ao longo de 2021. Em Brasília, governo e Congresso decepcionaram ao não implementarem as reformas necessárias à resolução da crise fiscal que o país atravessa.

Nesse cenário, acabou sobrando para a Bolsa brasileira, que saiu chamuscada depois de vários momentos de volatilidade. O Ibovespa, que começou o ano a plenos pulmões e atingiu máxima histórica em junho (130 mil pontos), registrou perda de 9,46% entre janeiro e novembro, de acordo com levantamento da Economatica.

Aproveitando que este ano já está quase no fim, o 6 Minutos fez um balanço de como se saiu cada uma das principais categorias de investimentos. Uma coisa que salta aos olhos é que a grande maioria, incluindo o dólar, perdeu da inflação – que, no acumulado de 12 meses até novembro, chegou a 10,74%.

“O Ibovespa teve performance negativa ao longo do ano por conta da deterioração macroeconômica. A fuga de fluxos da renda variável para a renda fixa, causada pelas altas da inflação e da taxa de juros, contribuiu para isso. Quem também sofreu foram os fundos imobiliários, que, por serem ativos de dividendos, competem diretamente com a renda fixa”, explica o analista Rodrigo Crespi, da Guide Investimentos.

Ibovespa

Começou o ano com uma valorização que o levou à máxima histórica de 130 mil pontos. Mas a inflação e o agravamento da crise fiscal, somados com ruídos políticos e o fator covid-19, acabaram comprometendo o desempenho das empresas brasileiras de capital aberto. Resultado: o índice acumulou queda de 9,46% até o dia 10 de dezembro.

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um título com prazo de um dia útil, atrelado à taxa básica de juros, a Selic. Muitas instituições o usam como referencial para a remuneração de depósitos em conta. O percentual de 100% do CDI equivale à taxa média integral dos empréstimos realizados entre os bancos. Em 2021, o CDI teve variação de 3,88%.

Dólar

A moeda americana valorizou 7,63% frente ao real, que sofreu desvalorização acentuada desde o início do ano. Ou seja, o dólar ficou mais caro, mas, ainda assim, perdeu da inflação.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários caíram em média 6,84% até 10 de dezembro. O mercado foi fortemente impactado pela inflação alta e pelas sucessivas elevações da taxa básica de juros. Estes ativos já vieram de fortes desvalorizações desde 2020, quando a pandemia do coronavírus começou. Alguns fundos exploram aluguéis de imóveis que foram postos de escanteio durante o período de isolamento social, como lojas em shopping centers.

Poupança

Tipo de investimento mais popular do Brasil, a poupança registrou alta nominal de 5,64%. Este ganho, no entanto, não supera a inflação acumulada em 12 meses – o que significa dizer que a caderneta entregou juro real negativo ao investidor, que perdeu poder de compra.

Ouro

Secularmente reconhecido como reserva de valor, o ouro é muito lembrado em períodos de crise e também foi bastante procurado por investidores que buscaram proteção contra a inflação em 2021. E essas pessoas fizeram bem: com valorização de 14,67%, o metal precioso foi um dos poucos investimentos que superaram a inflação.

Bitcoin

Com elevação de 78% até o dia 10 de dezembro de 2021, a principal criptomoeda do mundo se recuperou de quedas anteriores e surfou a onda de otimismo trazida pela entrada de investidores institucionais nesse mercado. Analistas acreditam que estes ativos digitais passaram a ser vistos como reserva de valor e proteção contra a inflação. Mas a alta volatilidade das criptomoedas é um ponto que deve ser levado em conta pelo investidor.

BDRs

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são recibos negociados na B3 que refletem ações de empresas listadas nas bolsas de valores dos Estados Unidos. Ao comprá-los, investidores nacionais têm exposição tanto ao mercado de renda variável americano como à variação do dólar. O rendimento nominal médio destes ativos foi de 33,8% até o dia 10 de dezembro.

IMA (Indicado de Mercado Anbima, usado como referência para renda fixa)

Os títulos de rendimento atrelado à inflação tiveram valorização nominal média de 1,14% até o dia dez de dezembro de 2021, portanto abaixo da inflação. Algumas opções desta classe de ativo tiveram desempenhos melhores, como os títulos com até cinco anos de duração, que registraram valorização de 4,17%. Outras, no entanto, estiveram abaixo da média, como aqueles com prazos superiores a cinco anos, que caíram 3,75%.

IDA (Índice de Dividendos Anbima, referência para títulos de dívida privada)

As diversas modalidades de aplicação de renda fixa tiveram, na média, valorização de 6,68% até o dia 10 de dezembro. Este percentual leva em consideração fundos pré e pós fixados atrelados ou não ao Índice de Preços ao Consumidor, principal medidor da inflação no Brasil.

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