Dados apurados pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e divulgados nesta quinta-feira (12) identificaram a primeira queda na inadimplência do consumidor brasileiro em mais de dois anos. A última vez que isso havia acontecido foi em setembro de 2017.

Apesar de relevante para a retomada da economia brasileira, o recuo de apenas 0,27% ainda reflete um processo lento de crescimento. O dado também coincide com a liberação de recursos extraordinários e feirões de renegociação, o que acende o alerta para observar se esse processo se manterá constante nos próximos meses.

“Houve uma demora considerável para observarmos a primeira queda no número de inadimplentes. Além do fator conjuntural, o dado coincide com acontecimentos extraordinários, como a liberação dos recursos do FGTS e a realização de diversos feirões de renegociação de dívidas, que impulsionaram a recuperação de crédito”, afirmou, em nota, o presidente do SPC, Roque Pellizzaro Júnior.

Inadimplência caiu especialmente entre mais jovens e para dívidas com serviços bancários, telefonia, televisão e internet. Crédito: Shutterstock

Não é todo mundo. A queda na inadimplência não acontece, no entanto, de forma generalizada em todas as faixas etárias e setores econômicos.

  • Cai entre a faixa entre 18 e 24 anos: -21,6%
  • Sobe entre 40 e os 49 anos: 0,7%
  • Cresce entre 50 e 64 anos: 1,6%
  • Aumenta acima de 65 anos: 3,8%

Dívidas são inferiores a R$ 1.000 e com o setor bancário. O levantamento do SPC e da CNDL também analisou os tipos e valores das dívidas ainda em aberto no Brasil.

  • A maior parte dos brasileiros que deve (53%), tem pendências de até R$ 1 mil. As maiores dívidas, com valores acima de R$ 7,5 mil, representam 10% do total.
  • Da mesma forma, as dívidas com o setor bancário são maioria entre as pendências, representando 52% do total. Na sequência, aparecem comércio, telecomunicações e água e luz.

Esse predomínio das dívidas com bancos ainda preocupam, porque representam taxas mais altas de juros mas acabam em segundo plano pela priorização de pagamento a serviços que podem ter o fornecimento interrompido, como água e luz. Uma alternativa é buscar linhas de crédito mais baratas.

“A substituição da dívida por uma outra que cobra juros mais baixos é uma opção a ser levada em conta, como é o caso do consignado, que tem juros mais baratos que o do cartão de crédito”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC.

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