Dia a dia, aumenta a chance de o governo acionar a bandeira vermelha nível 2, aquele adicional na tarifa de energia que costuma ser adotado quando os reservatórios das hidrelétricas se encontram em patamares perigosamente baixos. Se isso acontecer, a conta de luz passará a ficar 10,5% mais cara, em média, do que em períodos em que não há nenhuma cobrança extra.

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, o novo cenário pode acontecer já a partir de junho. Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mostram que, no caso do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por mais da metade da energia gerada no país,  os reservatórios estavam no final de abril com o menor armazenamento para o mês desde 2015.

Essa situação deve piorar, já que o período entre maio e outubro é marcado por chuvas menos intensas nas duas regiões. Tanto que o governo federal já criou uma sala de crise, formada por representantes do Ministério de Minas e Energia, ANA (Agência Nacional de Águas) e Ibama, para debater ações com o objetivo de evitar o risco de escassez de energia –um plano será apresentado nos próximos 15 dias.

Nível 1 já está em vigor

Desde o início deste mês, os consumidores já estão sujeitos à bandeira vermelha nível 1, que acrescenta R$ 4,16 a cada 100 quilowatts hora consumidos. E desde  abril, as faturas já pagam bandeira amarela, ou seja, R$ 1,34 a mais a cada 100 quilowatts hora.

Caso a bandeira vermelha patamar 2 seja acionada, esse valor a mais a ser pago aumentará para R$ 6,24 a cada 100 quilowatts hora. “O acionamento de bandeira é iminente”, aponta Clauber Leite, coordenador de energia e sustentabilidade do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). “Estamos numa crise hídrica, já que o nível dos reservatórios está bastante baixo”.

Em média, em uma situação de bandeira verde (ou seja, sem cobrança extra), o consumidor residencial paga R$ 58,87 a cada 100 quilowatts hora. Ou seja, pagar um adicional de R$ 6,24 representa um aumento de 10,5% na conta.

Impacto na inflação é direto e indireto

Nesse cenário, haverá impacto sobre a inflação, pelo menos ao longo dos próximos meses. De acordo com consultorias de energia ouvidas pela reportagem, a projeção é que a bandeira vermelha nível 2 pode ser mantida até novembro.

De acordo com André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV (Fundação Getulio Vargas), somando-se as altas da bandeira vermelha nível 1 e nível 2, a energia elétrica sozinha poderia aumentar o IPCA (Índice  de Preços ao Consumidor Amplo) em 0,4 ponto percentual.

“Para cada 1% de alta na conta de energia, o impacto no IPCA é de 0,04 ponto percentual, aproximadamente”, explica. “Se você tiver 10% de alta, o IPCA aumenta 0,40 ponto percentual se só a energia subir”.

Ele lembra que se a bandeira vermelha for retirada a partir de dezembro, o impacto sobre o IPCA do ano acaba sendo zerado, já que a comparação passa a ser com dezembro do ano passado.

Mas há ainda os impactos indiretos sobre a alta de preços. “A bandeira tarifária não poupa ninguém. Ela é cobrada também da indústria e dos serviços. Salões de beleza, consultórios médios, restaurantes passam a pagar mais caro, e isso pode encarecer a prestação de serviços”, aponta. “Um salão de beleza, por exemplo, usa ar condicionado, secadores de cabelo, chapas. Isso eleva a pressão de custos desse segmento”.

Como evitar uma conta salgada?

E como evitar ter uma surpresa desagradável no final do mês? Identificar os eletrodomésticos que mais consomem energia é um passo importante. Leite, do Idec, lembra que há alguns vilões desse consumo, e que o principal deles é o chuveiro.

“Esse é o momento para o consumidor economizar energia. Um dos vilões é o chuveiro, ainda mais que em algumas regiões, nessa época, está mais frio. As pessoas querem tomar banho quente e demoram mais”, lembra. “Os principais conselhos são apagar luz acesa onde não precisa e tomar banhos mais curtos”.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) também aponta algumas ações que podem ajudar a evitar o desperdício, veja abaixo.

Chuveiro elétrico

  • Tomar banhos mais curtos, de até cinco minutos
  • Selecionar a temperatura morna no verão

Ar condicionado

  • Não deixar portas e janelas abertas em ambientes com ar condicionado
  • Manter os filtros limpos
  • Colocar cortinas nas janelas que recebem sol direto

Geladeira

  • Só deixar a porta da geladeira aberta o tempo que for necessário
  • Regular a temperatura interna de acordo com o manual de instruções
  • Nunca colocar alimentos quentes dentro da geladeira
  • Deixar espaço para ventilação na parte de trás
  • Descongelar a geladeira e verificar as borrachas de vedação regularmente

Ferro de passar

  • Juntar roupas para passar de uma só vez
  • Separar as roupas por tipo e começar por aquelas que exigem menor temperatura

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