Em um movimento liderado pela poupança, que cresceu principalmente por causa do auxílio emergencial depositado pelo governo, as aplicações de pessoas físicas no varejo tradicional dos bancos atingiram, pela primeira vez, mais de R$ 1 trilhão em junho deste ano.

O montante representou um crescimento de 10% na comparação com o último mês do ano passado, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) divulgados nesta quinta-feira (dia 6).

No chamado varejo alta renda, que compreende os clientes considerados “prime” pelos bancos (em geral com renda acima de R$ 10 mil), a alta foi bem mais modesta, de 0,8%, para R$ 995,7 bilhões. Já no segmento private banking, para correntistas com capacidade financeira de no mínimo R$ 3 milhões, houve leve queda, de 0,1%, para R$ 1,3 trilhão.

“O número total de contas aumentou em 28,2 milhões em relação a julho do ano passado, em um movimento estimulado pelo auxílio emergencial. Muitas contas poupança foram abertas para permitir o pagamento do auxílio”, explicou José Ramos Rocha Neto, presidente do fórum de distribuição da Anbima.

Segundo ele, apesar de essa alta ter sido causada pela conjuntura trazida pela pandemia, não deixa de ser uma boa notícia. “Essas contas criadas para o auxílio são uma porta de entrada para o varejo tradicional”, avalia.

Quando se considera as aplicações de pessoas físicas como um todo (varejo tradicional, alta renda e private banking), o montante investido totalizou R$ 3,37 trilhões, uma expansão de 3,4% na comparação com dezembro do ano passado.

CDBs em alta

O relatório da entidade mostrou ainda que os investimentos em renda fixa, apesar de ainda liderarem com folga as aplicações no Brasil, tiveram um recuo neste ano em relação a 2019: em um ambiente de juros ainda mais baixos, o que reduz o retorno da aplicação, elas passaram a representar 37,8% do total em junho, ante 38,9% em dezembro do ano passado.

Além da poupança, um destaque importante foi o CDB (Certificado de Depósito Bancário), aplicação conservadora em que o banco remunera o investidor de seus títulos de dívidas com juros.

O aumento dos investimentos nessa aplicação foi de 17% no varejo tradicional, 49,4% no varejo alta renda e ainda maior, de 52,5%, para o private banking. “A pandemia trouxe a busca por um porto seguro nos investimentos, e isso aconteceu também no varejo alta renda”, afirmou Rocha Neto.

Paralelamente, o cenário de retorno cada vez mais baixo de investimentos conservadores empurrou parte dos investidores, os mais arrojados, para aplicações mais diversificadas e de maior risco.

Isso aconteceu em todos os segmentos: os investimentos em ações cresceram 11,4% no varejo tradicional, 14,4% nos correntistas de alta renda e 17,4% no private. “Foi um movimento de troca. Se a Bolsa neste ano viu a saída do investidor estrangeiro, entrou o investidor pessoa física brasileiro”, ponderou o executivo da Anbima.

Tendência

O principal impacto da pandemia foi sentido mesmo em março, quando as aplicações se reduziram para R$ 3 trilhões, uma queda de 5,1%. Nos meses seguintes, esse cenário foi se normalizando.

Para Rocha Neto, é seguro dizer que o fundo do poço ficou para trás.

“Já começamos a ver alguns indicadores de horizontes positivos para a economia brasileira. Todo mundo tem em mente que uma vacina ficará pronta entre o final do ano e o início do ano que vem, o que deve normalizar o cenário”.

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