Bancos pequenos e médios pagam em média 10% mais a investidores pelos seus CDBs (Certificado de Depósito Bancário) vendidos por meio de intermediários (plataformas de investimento de corretoras) do que a remuneração que concedem a clientes que compram diretamente com eles.

Além da concorrência e do maior volume de negócios das plataformas, que funcionam como supermercados financeiros, com uma variedade de produtos de diferentes instituições, os clientes desses marketplaces estão mais dispostos a comprar títulos com prazos de resgate mais longos, que pagam taxas melhores.

Essas são as conclusões de um estudo publicado pelo Banco Central no último Relatório de Economia Bancária.

O levantamento mostra que no último trimestre do ano passado, por exemplo, a remuneração dos CDBs de bancos pequenos e médios vendidos a clientes próprios ficou pouco acima de 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Já os títulos vendidos nas plataformas de investimento tiveram uma remuneração média superior a 110% do CDI.

O CDI, hoje em 6,15% em 12 meses, é formado pela taxa que os bancos pagam para captarem dinheiro entre si. É a referência do mercado para investimentos em renda fixa.

Em primeiro lugar, você pode me explicar melhor o que é um CDB? É um título de renda fixa emitido pelos bancos e que funciona como um empréstimo de dinheiro que você faz para a instituição financeira, que te remunera com juros.

E por quê os CDBs vendidos nas plataformas pagam melhor do que os comercializados diretamente pelos bancos? Os prazos de resgate dos títulos vendidos nas plataformas digitais são, em média, mais longos do que os comercializados diretamente para clientes, segundo o BC.

Isso é importante porque quando o investidor tem menos liquidez no seu investimento (ou seja, tem que esperar mais tempo para sacar seus recursos), a remuneração aumenta como forma de compensá-lo.

No último trimestre do ano passado, esse prazo foi de 32 meses (ou 2 anos e 8 meses) no caso dos CDBs vendidos pelos intermediários. No caso dos clientes próprios dos bancos de menor porte, esse tempo girou em torno de 10 meses.

Essa é a única razão para essa diferença? Não. Vender por meio dessas plataformas significa um volume mais alto, custos menores e maior concorrência.

A exemplo de grandes supermercados, as plataformas conseguem oferecer produtos mais atrativos ao consumidor porque possuem mais escala.

“A concorrência sempre ajuda. Mas aqui há dois componentes mais importantes. As plataformas aumentaram os volumes captados e apresentam menor custo de distribuição”, aponta Hudson Bessa, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Sabendo dessa vantagem, os marketplaces financeiros, que são pagos pelos emissores dos investimentos, e não pelos clientes, negociam com os bancos uma remuneração melhor.

Plataformas de investimento, conhecidas como supermercados financeiros, pagam mais pelo CDB de bancos médios
Crédito: Shutterstock

Mas e os CDBs dos grandes bancos? Em geral, bancos menores, que possuem um risco de crédito mais alto do que os tradicionais “bancões”, pagam muito mais ao investidor por esse empréstimo como forma de garantir a captação de recursos. Os grandes bancos têm mais facilidade para vender seus CDBs.

Essa diferença vem se aprofundando. Um levantamento feito pelo comparador de serviços financeiros Yubb no começo deste mês para o 6 Minutos mostrou que as grandes instituições financeiras pagam entre 70% e 85% do CDI, e as pequenas e médias, até 120% do CDI.

Essa disputa se acirrou nas últimas semanas e já é possível encontrar bancos pequenos e médios pagando quase 130% do CDI, dependendo do valor mínimo investido.

“Neste último mês a remuneração de CDBs dos pequenos e médios (bancos) aumentou bastante”, afirma Daniel Jannuzzi, especialista em investimentos da gestora digital Magnetis. “Isso pode ser explicado também pelo novo cenário de juros bastante reduzidos. A queda da taxa básica reduz o retorno do investidor e faz com que os bancos tenham que aumentar a rentabilidade para conseguir atrair demanda”, afirma.

A emissão de CDBs em geral vem crescendo? Sim. Na esteira da recuperação do mercado de crédito, o estoque desses títulos nunca foi tão grande no Brasil: há R$ 935,6 bilhões aplicados em CDBs hoje no mercado, segundo dados da B3.

A Bolsa não fornece os dados detalhados pelo tamanho da instituição financeira, mas os números do Banco Central mostram que, no fim do ano passado, o estoque de CDBs de bancos de menor porte era de R$ 92 bilhões (volume equivalente a cerca de 10% do mercado).

Existe risco em comprar um CDB de banco pequeno ou médio? Sim, mas depende do valor aplicado. É importante saber que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante investimentos em até R$ 250 mil em depósitos ou créditos do investidor. Em geral, o pagamento é feito entre 30 e 45 dias depois de um caso de falência, intervenção ou liquidação da instituição financeira.

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