A Caixa Econômica Federal se distanciou dos outros bancos e segurou a alta dos juros do crédito imobiliário. A estatal anunciou nesta quinta-feira a redução dos juros do financiamento corrigido pela poupança e manteve inalterada a taxa das demais linhas.

Após o início do movimento de alta da Selic, os grandes bancos fizeram novos reajustes em suas taxas de financiamento imobiliário. Os últimos aumentos vieram antes mesmo da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que deve elevar o juro mais uma na semana que vem.

No Bradesco, Itaú e Santander, as taxas de juros já passam de 8% ao ano mais TR (taxa referencial), que está zerada. No Banco do Brasil, custam a partir de 6,85% ao ano mais TR.

Numa indireta aos outros bancos, Pedro Guimarães disse que a redução da linha da poupança é reflexo da própria alta da Selic. “Essa foi uma primeira calibrada, que faz sentido, porque nosso spread aumentou. Quanto maior a Selic, maior é o ganho de todo banco que tem captação barata”, afirma Guimarães.

A Caixa já é líder isolada no ranking de concessão de financiamento com recursos da poupança, de acordo com um levantamento da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). De janeiro a julho, o banco público foi o responsável pelo financiamento de 262.162 unidades, bem distante do Itaú, que ficou em segundo lugar com 95.807. Em seguida aparecem Bradesco (76.768), Santander (39.063) e Banco do Brasil (14.305).

“O custo de captação de clientes na Caixa é muito baixo, então o que parece é que o Pedro Guimarães [presidente do banco] vai repassar parte desse custo competitivo para o consumidor final na ponta, com a redução das taxas”, afirma João Augusto Salles, estrategista da Senso Corretora.

BancoTaxa anteriorNova taxa
Banco do Brasil6,39% + TR6,85% ao ano + TR
Bradesco7,3% ao ano + TR8,5% ao ano + TR
Caixa7% ao ano + TR7% ao ano + TR
Itaú7,3% ao ano + TR8,3% ao ano + TR
Santander7,99% ao ano + TR8,99% ao ano + TR

Priscilla Basso, coordenadora de crédito imobiliário da Melhortaxa, explica que o efeito de subida ou queda da Selic não é imediato no mercado. Neste ano, o primeiro aumento da Selic aconteceu em março, quando a taxa foi de 2% para 2,75%, enquanto os ajustes nos financiamentos começaram a ser percebidos em julho.

“Desde que a Selic atingiu sua mínima histórica, há cerca de um ano, até as elevações que acompanhamos nos últimos meses, os bancos seguraram as taxas devido ao aquecimento do mercado imobiliário. Mas desde julho deste ano começamos a acompanhar uma série de correções realizadas pelas principais instituições que trabalham com essas linhas”, afirma Basso.

A tendência é que novos reajustes aconteçam nos próximos meses, já que a inflação não dá trégua e o BC (Banco Central) adotou uma postura mais rígida de aperto monetário. A expectativa dos especialistas ouvidos pelo 6 Minutos é de que a taxa fique em torno dos 9% ao ano mais TR.

“Os reajustes são consequência basicamente do aumento da Selic e da expectativa de inflação, que está aumentando e influencia diretamente nos custos do financiamento”, afirma Pedro Seixas, coordenador do MBA em Gestão de Incorporações e Construções Imobiliárias da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ainda vale a pena comprar? Para Basso, o cenário começa a preocupar caso a taxa de juros supere os dois dígitos. Por enquanto, os aumentos não impactam tanto o valor da parcela do financiamento.

Bruno Gama, CEO da plataforma de contratação de crédito imobiliário CrediHome, diz que a cada 1 ponto percentual no aumento da taxa de juros, considerando um cliente típico, na faixa dos 35 anos com um financiamento de 30 anos, a parcela tem um acréscimo de 8% a 10%.

Na prática, o cliente passa a precisar de uma renda maior para comprovar renda para o mesmo financiamento. “As novas taxas mostram o início de um descolamento entre os bancos. Acho que, pela primeira vez, vamos ter todos os bancos com taxas diferentes, aumentando a competição entre eles”, afirma Gama.

Quais as dicas na hora de financiar um imóvel?

Na hora de escolher o melhor financiamento, o consumidor precisa avaliar o CET (custo efetivo total, ou seja, todas as taxas incluídas no contrato), fazer cotações em diferentes instituições financeiras e sempre comparar propostas que tenham os mesmos prazos.

Quem quer melhorar as condições do empréstimo pode dar uma entrada mais robusta, para financiar um valor menor do imóvel com o banco. “A entrada ainda é uma grande limitação na hora de comprar um imóvel, o que dificulta colocar essa dica em prática. Então o consumidor que não consegue melhorar a entrada deve ficar atento ao valor mensal das parcelas, que não pode comprometer mais de 25% da receita familiar”, afirma Seixas.

Negociar com vários bancos ajuda o consumidor a conseguir a melhor oportunidade e, segundo Seixas, é interessante focar na instituição em que a pessoa já é cliente, porque o relacionamento ajuda a conseguir melhores taxas. “Nos simuladores, existem várias possibilidades de taxas e condições, que muitas vezes são determinadas de acordo com o relacionamento entre o cliente e o banco”, afirma Seixas.

Se, depois de assinar o contrato, o financiamento pesar demais no bolso, existe a possibilidade de portabilidade, dentro do mesmo banco ou entre instituições. Além da opção de financiamento com a taxa fixa mais TR, existem modalidades com correção pelo rendimento da poupança, por uma taxa fixa ou pelo IPCA, índice de inflação.

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