Você já deve ter lido por aí que a caderneta de poupança não deve ser considerada como uma boa opção de investimento, nem mesmo para a reserva de emergência. Apesar de ter funcionamento descomplicado e liquidez imediata, razões que ainda atraem uma quantidade enorme de brasileiros, ela tem retorno inferior à inflação e, portanto, não consegue repor a perda do poder de compra do dinheiro aplicado.

Se os conselhos de especialistas não forem suficientes, os dados ajudam a mostrar a dura realidade. Levantamento feito pela plataforma de informações financeiras Economatica apontou que a rentabilidade da poupança, descontada a inflação medida pelo IPCA em 12 meses, foi negativa em 6,67% no mês de julho.

Isso significa que o poupador teve perda de poder aquisitivo. Aliás, uma senhora perda: um prejuízo dessa magnitude não era registrado desde outubro de 1991, quando as perdas em 12 meses da caderneta foram de 9,72%.

Não é de hoje que a poupança está sangrando. O poupador vem sofrendo perdas de poder aquisitivo no acumulado de 12 meses desde o mês de setembro de 2020 – ou seja, o prejuízo de julho deste ano é o 11º consecutivo.

Em apenas três oportunidades foi vista uma sequência de perdas mais longa que essa. A maior delas foi a iniciada em fevereiro de 2015, quando a poupança ficou no vermelho pelos 20 meses seguintes, até setembro de 2016. Houve ainda duas outras sequências de perdas por doze meses consecutivos, uma iniciada em novembro de 2002 e a outra a partir de janeiro de 2013.

E o CDI não está em situação muito melhor, não. Sua rentabilidade em 12 meses, descontada a inflação pelo IPCA, também ficou negativa, em -6,01%. Foi o décimo mês consecutivo.

Uma perda dessa magnitude não era vista desde fevereiro de 1991, quando o CDI em 12 meses registrou queda de -23,99%, já descontada a inflação.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).