O aumento do consumo no fim de ano já é conhecido: o Natal e as festas e os encontros com amigos e familiares em dezembro, somados à chegada do 13º salário para quem tem um emprego formal, são um estímulo para os gastos. Mas até que ponto o consumo extrapola a renda e faz o orçamento entrar no vermelho?

Para brasileiros que, digamos assim, cederam mais aos apelos do consumo, o descompasso entre renda e gasto foi considerável. É o que revela uma pesquisa do aplicativo de gestão financeira e curadoria de produtos Guiabolso com 5 mil pessoas que gastaram mais do que ganharam e que ficaram um com saldo negativo de no mínimo R$ 500 em dezembro. Esse público gastou 2,1 vezes o que recebeu no último mês do ano.

Ou seja, se a renda era de R$ 1 mil, os gastos em dezembro chegaram a R$ 2.100 em média.

Tudo isso foi gastos em compras? Não. As despesas financeiras, que incluem gastos com cheque especial e juros do cartão de crédito, também subiram. Segundo a pesquisa, essas despesas aumentaram 50% em dezembro na comparação com a média da mesma pessoa nos três meses imediatamente anteriores.

E o que essas pessoas fizeram para fechar as contas? 10% das pessoas recorreram a um empréstimo pessoal, com valor médio de R$ 13 mil. “A contratação do empréstimo chama a atenção porque mostra que muitas pessoas ainda não estão preparadas para imprevistos, não possuem uma reserva de emergência”, diz o diretor de tecnologia e produtos do Guiabolso, Júlio Duram. “Vale destacar também que mesmo sendo um período de altos ganhos, devido ao 13º salário e outras bonificações, o dinheiro extra não foi suficiente.”

O saldo negativo ficou em média em R$ 4.500. A mediana da dívida do cheque especial (ou seja, o valor que fica exatamente na metade desta lista) ficou em R$ 2400. “Parte das pessoas já vinha com o saldo negativo de outros meses e em dezembro o rombo só foi aprofundado”, diz Duram.

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