O volume investido pelos clientes pessoa física nos bancos e corretoras em 2020 alcançou R$ 3,7 trilhões, uma alta de 13,4%, em relação ao ano anterior. Trata-se do maior crescimento anual da série histórica, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (4) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais).

O principal crescimento se deu no chamado varejo tradicional dos bancos (correntistas com renda em geral abaixo de R$ 10 mil), que registrou crescimento de 20,3% no volume investido. Essa forte expansão foi puxada pela poupança, que recebeu recursos do auxílio emergencial, e também pelo fato de que uma parcela das pessoas aumentou suas reservas financeiras como uma forma de precaução por causa da crise do coronavírus.

Houve alta também nos segmentos alta renda (em geral, acima de R$ 10 mil investidos), de 13,5% no montante aplicado, e no chamado private banking (correntistas com capacidade financeira de no mínimo R$ 3 milhões), com crescimento de 6,7%.

O número de contas das pessoas físicas em bancos e corretoras também foi impulsionado pelo auxílio: 2020 encerrou com 105,6 milhões de contas, alta de 27,8% na comparação com 2019.

Destaques

Além da poupança, um dos destaques do ano passado nos investimentos foram os CDBs (Certitificados de Depósitos Bancários), aplicação conservadora em que o banco remunera o investidor de seus títulos de dívida com juros.

O aumento dos investimentos nessa aplicação foi de 34,1% no varejo tradicional e de impressionantes 72,3% e 90%, respectivamente, no varejo alta renda e no private banking. Esse desempenho não deve se manter no mesmo patamar neste ano, segundo José Ramos Rocha Neto, presidente do fórum de distribuição da Anbima.

“O CDB é fonte de captação de recursos para os bancos, e deverá continuar sendo um instrumento atrativo no ano que vem, mas talvez não mantenha esse nível de crescimento”, afirmou.

Em um ambiente de juros baixos, houve forte expansão também nos investimentos em ações, com crescimento de 47,8% no varejo tradicional e de 51,6% no varejo alta renda.

Patinho feio

Por outro lado, o patinho feio do ano passado foram os fundos de investimento, que tiveram queda de 8,7% no volume financeiro. Apesar da alta dos fundos multimercados e de ações, os fundos de renda fixa, que representam a maior da indústria de fundos, acabaram tombando 0,2%, no caso do varejo tradicional, e 28,5% na alta renda.

Rocha Neto lembra que a forte redução dos juros aumentou o peso da taxa de administração dos fundos de renda fixa na rentabilidade. Esse cenário pode começar a mudar neste ano se houver alta nos juros básicos, como prevê o mercado. Deverá haver mudanças também na poupança. “Em 2020, provavelmente a poupança não conseguirá manter os níveis de crescimento que vinha tendo em 2019”.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).