O brasileiro está recorrendo ao cheque, modalidade usada em somente 1% dos pagamentos ao comércio, apenas para fazer transferências de maior valor ou para quitar contas entre empresas, mostram dados do Banco Central.

Em maio deste ano, último dado disponível, o valor médio gasto por folha de cheque foi de R$ 2.226,55. O valor vem aumentando ano a ano. Para se ter uma ideia, há 10 anos, o valor médio girava em torno de R$ 900.

Por que o valor médio dos cheques está aumentando? Em alguns contratos de grande valor, como a compra de uma casa, um apartamento ou um carro, os vendedores exigem o uso de cheque até como forma de atestar a transação junto ao cartório, por exemplo.

Além disso, há empresas de pequeno porte que ainda têm como prática usar cheques pré-datados para pagar fornecedores.

Fora desses casos, o brasileiro usa cada vez mais cartões de crédito ou débito ou dinheiro para realizar seus pagamentos.

Quem ainda usa cheque hoje em dia? Segundo o levantamento “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, feito pelo Banco Central em 2018, apenas 1% dos pagamentos ao comércio são feitos com cheque.

O economista Emílio Alfieri, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), afirma que as últimas pesquisas da entidade mostram que essa modalidade responde por entre 3% e 4% dos pagamentos.

“Antes do Plano Real, o cheque era muito usado porque era difícil arrumar troco. Era usado até mais do que dinheiro, na época da hiperinflação”, lembra Alfieri. “Mas o consumidor acabou migrando para o cartão, e hoje já tem gente que faz pagamentos pelo celular.”

Ainda há lojas que aceitam cheque como forma de pagamento? Sim, mas são poucas. Esse mesmo levantamento do BC mostra que apenas 16% dos comerciantes brasileiros ainda se dispõem a aceitar essa forma de pagamento.

“Tem estatísticas que mostram que há pequenas lojas de rua que aceitam cheque. Nas cidades do interior também ainda existe algum uso de cheque”, diz o economista da ACSP.

Quais são as principais desvantagens do cheque? Vamos listar quatro:

É aceito em um número cada vez menor de estabelecimentos comerciais: somente 1,6 a cada 10 lojistas aceitam essa forma de pagamento, segundo o BC.

É sujeito a fraudes: um levantamento feito pelo SPC Brasil mostra que o recebimento de cheques falsificados ou roubados respondeu pela maior fatia nas fraudes sofridas por micro e pequenas empresas no ano passado (33% dos casos).

O consumidor está mais sujeito a ser roubado ao andar com um talão de cheques.

É menos prático: fazer um pagamento com cheque requer o preenchimento do valor e da data; o uso do cartão requer, no máximo, a digitação da senha.

Há vantagens? A principal vantagem é que o cheque pode dar mais flexibilidade nas negociações com o lojista, permitindo negociar a data do pagamento da compra, por exemplo.

Além disso, o lojista não paga taxa de administração, como acontece com o cartão, o que pode abrir espaço para negociar descontos.

 

 

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