A BlackRock lançou uma série de produtos que darão a investidores brasileiros acesso a alguns de seus principais fundos de índice (ETF, na sigla em inglês) globais, em um esforço para popularizar esse tipo de estratégia no país.

A maior administradora de ativos do mundo abrirá alguns de seus ETFs iShares para investidores locais por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), ou seja, com listagem no Brasil, na B3, segundo um comunicado da empresa. Os lançamentos vêm na esteira de mudanças regulatórias recentes para estes tipos de produtos.

“Há um potencial tremendo”, disse Dominik Rohe, diretor geral para América Latina da BlackRock, que cita a alta adoção do instrumento entre os fundos de pensão nos países vizinhos do Brasil. “No Brasil vai demorar – não é algo que esperamos que aconteça amanhã ou em alguns meses. Para nós, este é um plano de longo prazo”.

Serão 37 novos ETFs da BlackRock no Brasil via a listagem de BDRs. No modelo anterior, sem BDRs, a gestora tinha apenas 5 ETFs no Brasil. Os novos produtos são principalmente baseados em ações, incluindo setores como aeroespacial e biotecnologia, e estratégias sustentáveis.

A baixa popularidade de ETFs na indústria de fundos brasileira contrasta com seu sucesso no resto do mundo. Até a semana passada, havia menos de duas dezenas de ETFs de ações listados no Brasil, segundo site da B3, embora o país tenha uma das maiores indústrias de gestão de ativos do mundo. Dos R$ 5,8 trilhões de reais investidos em fundos, apenas 0,5% estão em ETFs, segundo dados da associação de mercado de capitais Anbima.

O juro na mínima histórica e uma recente revisão regulatória trouxeram oportunidade para que isso mudasse. Os reguladores passaram a permitir a criação de BDRs listados localmente vinculados a ETFs no exterior, criando um mecanismo mais fácil para a listagem cruzada dos fundos. Também permitiu que investidores de varejo comprassem BDRs pela primeira vez.

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