A partir desta quinta-feira (dia 22), as corretoras poderão oferecer aos investidores brasileiros recibos de ações negociadas em bolsas no exterior em reais, os chamados BDRs. Esses papéis já são negociados na B3, só que até agora estavam restritos aos grandes investidores, aqueles com mais de R$ 1 milhão aplicados.

Atualmente, são negociados na Bolsa 671 BDRs, os Brazilian Depositary Receipts, que são certificados que representam ações de companhias negociadas lá fora, como AmazonAppleNetflix e Google, entre outras estrelas do mercado internacional.

De acordo com a B3, o critério para o BDR ser negociado é a ação ser negociada na bolsa de Nova York (a New York Stock Exchange) e na bolsa Nasdaq –como esses mercados negociam papeis de todo o mundo, não se trata somente de empresas americanas.

Entenda melhor essa nova opção de investimento abaixo, e veja a lista completa dos BDRs negociados na B3 aqui.

Como funciona essa aplicação? Em primeiro lugar, é importante saber que o investidor não estará investindo diretamente nas ações das empresas listadas no exterior, mas sim nos tais BDRs.

Esse nome complicado define certificados que representam papéis de empresas listadas em bolsas de outros países, e que ganham ou perdem valor de acordo com a movimentação nas suas bolsas de origem.

Eles são vendidos em lotes mínimos de 10 BDRs –o investidor não consegue adquirir menos do que isso.

Isso quer dizer que não estou investindo de verdade na empresa? Indiretamente, você está investindo na empresa, apesar de não ter a posse direta da ação.

Ao adquirir um BDR, você está comprando um recibo lastreado com ações da empresa.

Tanto que o emissor do certificado (que pode ser a própria companhia ou uma instituição financeira autorizada por ela) faz uma reserva de papéis para garantir o equivalente ao seu investimento.

A valorização ou desvalorização dos BDRs reflete exatamente o que acontece com a ação no exterior? Mais ou menos. O BDR acompanha exatamente a variação do preço daquela ação, mas é importante ter em mente que existe a diferença do câmbio.

Uma variação para cima ou para baixo do dólar impactará no valor que o investidor vai ganhar ou perder no final do dia.

“Além da volatilidade em si do papel, nesse caso é importante observar que a variação do dólar também influencia no preço”, alerta Luis Sales, analista da Guide Investimentos.

Veja abaixo os BDRs que mais se valorizaram nos últimos 12 meses –lembrando sempre que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

E quais os cuidados a tomar? Especialistas aconselham que o pequeno investidor redobre todos os cuidados tradicionais quando o assunto é aplicação em ações: se informar bastante sobre a empresa e também sobre a economia do país onde ela está.

Além disso, a opção por qualquer investimento deve ser feita dentro de um portfólio que balanceie diferentes níveis de riscos –da renda fixa à variável.

“Balancear a carteira é o mais importante”, lembra Tiago Franco, especialista em investimentos da ABFintechs. “Antes de escolher onde investir e fazer um planejamento completo, é necessário decidir que tipo de exposição ao risco você quer”.

No caso específico de BDRs, um ponto importante é a liquidez: os volumes negociados são muito menores. Por isso, na hora que você quiser vender o investimento, talvez não seja tão rápido encontrar um comprador a um preço justo.

Veja abaixo os BDRs mais negociados neste ano.

Quais as vantagens de se investir em BDRs? De acordo com especialistas, os BDRs podem ser uma excelente oportunidade para diversificar a carteira. A ressalva é que é importante estudar com calma quais empresas se encaixam melhor no seu perfil de investidor e seus objetivos.

“É uma forma de se expor a riscos diferentes. Quando você se expõe a riscos não relacionados entre si, consegue fazer uma melhor gestão do seu patrimônio”, afirma Franco.

“O investidor brasileiro pode se expor às principais empresas do mundo, e é uma aplicação atrelada ao dólar, que também é uma forma de diversificação”, reforça Sales.

As ações americanas não estão muito caras agora? O preço de muitos dos BDRs mais negociados estão altos: os principais índices americanos  estão nas suas máximas históricas, sem falar na valorização expressiva que o dólar teve em relação ao real em 2020.

“O S&500 e o Nasdaq estão próximos às máximas históricas, nos maiores níveis já vistos. Isso é fruto de um cenário positivo para as empresas de tecnologia”, aponta Sales. “Mas há uma razão para essa valorização, elas ganharam bastante impulso com a crise do coronavírus. O ideal é que o investidor vá fazendo aportes menores, até para amenizar eventuais impactos do câmbio nos preços”.

Para Franco, o risco da volatilidade do dólar pode ser compensado pela bolsa brasileira. “Eu posso até sofrer o risco do dólar perder valor, mas ao mesmo tempo, se a moeda americana cair, provavelmente a bolsa brasileira vai subir. Se tenho ações na bolsa, a tendência é que uma coisa proteja a outra”, afirma.

Os BDRs também pagam dividendos e juros sobre capital próprio? Como funciona a tributação? Sim, o investidor brasileiro em BDRs recebe dividendos e juros sobre capital próprio pagos pelas ações. Nesses casos, a tributação é feita no país de origem da ação e já chega aqui líquida de impostos.

Da mesma forma como acontece com ações brasileiras, o valor ganho com a valorização dos papeis é sujeito à tributação local, de 15% para valores de venda acima de R$ 20 mil.

 

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).