Nos últimos dias, companhias como o Banco Inter, a Hering e a Cielo anunciaram que pagarão alguns milhões de reais em juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas. Antes de contar o que isso significa, vamos aos números apresentados pelas empresas:

Quanto o Inter pagará aos acionistas? O Inter distribuirá, no total R$ 12,8 milhões em juros sobre capital próprio. Isso equivale a R$ 0,018 por ação, e R$ 0,054 por unit. O pagamento será no dia 8 de outubro, e valerá para todos que tinham ações da empresa no dia 30 de setembro.

Quanto a Hering distribuirá? O conselho da varejista de moda aprovou o pagamento de R$ 19 milhões, o que equivale a R$ 0,12 por ação. O valor será pago no dia 23 de outubro, para todos que tinham ações da empresa no dia 26 de setembro.

E a Cielo? A empresa de pagamentos distribuirá R$ 78,1 milhões — cada ação será remunerada em R$ 0,028. A quitação vai acontecer no dia 18 de novembro, para todos que tinham ações na companhia em 24 de setembro.

Mas o que é, afinal, o juro sobre capital próprio? As empresas que têm capital aberto são obrigadas a distribuir pelo menos 25% do lucro para os acionistas, que são, afinal, sócios da empresa. Essa distribuição pode ser por dividendos ou por juros sobre capital próprio.

Qual a diferença entre eles? A primeira é a do regime de tributação. Enquanto os dividendos são isentos, no juro sobre capital próprio o investidor pagará 15% de Imposto de Renda, retido na fonte.

Para as empresas, no entanto, o benefício fiscal é maior na segunda modalidade — trata-se de um ajuste contábil: os JCP são recolhidos antes da tributação do lucro, o que diminui a base de cálculo e o imposto pago pela empresa.

Não existe uma periodicidade fixa para o pagamento de dividendos ou de JCP. Cada empresa determina seu calendário, de acordo com o estatuto e com as deliberações do Conselho, mas em geral esse lucro é distribuído mensalmente, trimestralmente ou semestralmente.

Qual é mais vantajoso? Como explica Rafael Panonko, analista-chefe da corretora Toro, não existe uma regra geral — cada caso é um caso. “O ideal é que o investidor tenha, na carteira, ações que pagam dividendos e ações que pagam juros sobre capital próprio”, recomenda.

Em geral, as empresas que pagam dividendos são mais consolidadas, e tem uma previsibilidade de receita maior — estão nesse grupo empresas de energia e bancos, por exemplo. Já as que pagam juro sobre capital próprio costumam ser empresas não tão consolidadas, com potencial de valorização.

“Se o investidor decidir investir só em empresas que pagam bons dividendos, ele vai acabar alocando em poucos setores, e ficará exposto a mais riscos”, alerta Panonko, da Toro.

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