Em um país tão violento quanto o Brasil, uma ferramenta de transferência instantânea de dinheiro não deixa as pessoas mais expostas ao risco? Ninguém sabe ainda como o PIX vai impactar o nosso dia a dia em termos de segurança, mas vou dar o meu palpite sobre sete situações possíveis que envolvem o elo tipicamente mais fraco: o usuário final.

Vai melhorar

Pagamento em loja com cartão
Ao pagar com PIX em vez de usar cartão de débito ou crédito, há menos risco de um atendente mal-intencionado clonar ou trocar o cartão utilizado, além de gravar ou memorizar a senha que o usuário digitou na maquininha.

Lives falsas
Nesses golpes com transmissões falsas no YouTube de artistas consagrados, o golpista replica uma Live verdadeira e altera o QR Code que aparece na tela para doação de valores. Com o PIX, os artistas ou apresentador da Live podem agora reforçar os dados da conta que aparecerão no app do espectador no processo de aprovação do PIX. “Ajude a causa X e doe para Y! Mas antes de confirmar, confira se aparece a informação tal no app do seu banco. E, agora, vou cantar a música…”

Assalto
Nenhum assaltante com um três oitão na mão fala “Isto é um assalto! Entre no app do seu banco, faz o login e manda uma TED para esta conta aqui, ó”, portanto, é pouco provável que peçam um PIX só porque a Chave PIX facilita um pouco o processo. Entretanto, com o uso mais frequente do PIX, possivelmente os usuários andarão cada vez menos com dinheiro e cartões na carteira ou na bolsa, o que reduzirá o prejuízo em um eventual furto ou assalto.

Não deve mudar

Golpe pelo WhatsApp
O mais difícil nesses golpes é o estelionatário conseguir clonar um celular, sequestrar uma conta do app de comunicação e convencer alguém da lista de contato a enviar dinheiro sob algum pretexto falso. Todavia, uma vez convencido, é indiferente se o contato ludibriado fará uma TEF (transferência entre contas), TED, DOC ou PIX.

Fraude online
Neste ponto, as instituições financeiras têm mais um meio de pagamento para se preocupar, mais brechas para fechar, mais limites operacionais para controlar e mais medidas preventivas para tomar, como liveness detection, retenção de pagamentos, algoritmos e provisão para fraudes. O trabalho das áreas de Segurança da Informação e Prevenção a Fraudes é duro e será cada vez mais árduo. Um novo meio instantâneo que funciona 24 horas por dia todos os dias encurta o tempo de monitoramento transacional e acrescenta mais complexidade à operação, e este ponto diferenciará as instituições mais bem preparadas.

Para o usuário final é mais do mesmo, pois hoje já existem sites falsos, carrinhos falsos, phishing etc. O PIX não parece adicionar novos elementos de preocupação, mas deixo claro que, das sete situações possíveis, esta é aquela em que eu posso estar mais enganado, pois desconhecemos a criatividade dos ciberpiratas.

Vai piorar

Fazendo um pagamento com PIX na rua
Utilizar em locais abertos e perigosos é arriscado. Para mandar um PIX ou ler um QR Code, o celular estará com a tela de bloqueio desativada. Um ladrão pode esperar este momento e furtar o celular desbloqueado para fraudar apps e aplicar golpes nas redes sociais da vítima.

Sequestro-relâmpago à noite
Geralmente os sequestradores fazem compras e saques em dinheiro com cartões durante um sequestro-relâmpago. Como o novo meio de pagamento funciona 24 horas por dia, os criminosos ganham mais uma opção de extorsão, pois agora de dentro do carro podem pedir para a vítima fazer um PIX para alguma conta, e já ocultar este dinheiro transferindo para outras contas.

Cuidados que todos devem ter

Até que o cenário fique mais claro e os bancos divulguem suas medidas de proteção para seus clientes, sugiro que você:

  • Não faça pagamentos com PIX no meio de ruas ou praias consideradas perigosas.
  • Estude as dicas de segurança disponíveis na internet para evitar sequestro-relâmpago.
  • Tome cuidado com os falsos e-mails e mensagens com links suspeitos.
  • Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp e demais apps de redes sociais.

O PIX veio para agilizar, facilitar e baratear o processo de pagamento no sistema financeiro brasileiro. Ele possui inúmeras vantagens sobre os meios de pagamento atuais, mas cabe a todos nós, usuários finais, instituições financeiras e Banco Central, nos precavermos de possíveis fraudes e situações de risco.

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