As últimas semanas não têm sido fáceis para o mercado de ações do país. O Ibovespa saiu da região dos 110 a 115 mil pontos em outubro para cerca de 105 mil em novembro e, no primeiro pregão deste mês, o índice quase perdeu os 100 mil pontos. A volatilidade extra que provocou o último tombo do indicador foi cortesia da nova cepa ômicron do coronavírus, cuja gravidade ainda está em estudo.

Para dezembro, as carteiras recomendadas pelas corretoras continuam trazendo papéis que se destacam pela resiliência, caso da Weg (que perdeu 1 indicação) e da Vale. A Arezzo, que chamou atenção entre as ações selecionadas do mês passado, continua marcando presença. A novidade é a volta da PetroRio. Depois de dois meses fora da nossa lista, ela volta a ter 5 indicações, mesmo número de Gerdau e Vale.

Neste mês, o 6 Minutos analisou as carteiras recomendadas de 11 casas: Ágora, Ativa, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, MyCap, Órama, Toro, Warren e XP. Destacamos abaixo os papéis que obtiveram pelo menos 4 (quatro) indicações.

PetroRio (PRIO3) – 5 indicações: BTG, Genial, MyCap, Toro e Warren

“Ao longo dos últimos anos, a PetroRio (PRIO3) vem apresentando um desempenho econômico satisfatório em relação à sua reestruturação, diante da decisão da Empresa de focar no desenvolvimento de poços maduros e não mais atuar na descoberta de campos, estratégia esta que possui um alto risco e exige investimentos pesados”, escreve a Toro.

A corretora destaca que a estratégia agressiva e bem-sucedida de aquisições da companhia vem impulsionando o seu crescimento, com altas margens e elevados indicadores de rentabilidade ante os principais pares. “Olhando para os preços das ações PRIO3, observamos um importante recuo nas últimas semanas. Esse recuo é importante para que um novo movimento comprador se estabeleça”, assinala.

A MyCap também recomenda as ações da empresa, como forma de manter exposição ao setor de petróleo e gás, sem os riscos da Petrobras. “A companhia apresentou positivos resultados subsequentes e possui elevado caixa, que possibilitam investimentos em melhorias das operações e novas aquisições. A conexão (tieback) entre os campos de Polvo e Tubarão Martelo é um dos passos mais importantes do seu plano de revitalização dos ativos e irá gerar uma redução de custos de US$ 50 milhões por ano, com custo de extração abaixo de US$ 12 por barril”.

Gerdau (GGBR4) – 5 indicações: Ativa, BTG, Elite, MyCap e XP

A Gerdau é uma das maiores produtoras de aços longos nas Américas, com mais de 20 milhões de toneladas/ano, e uma das maiores fornecedoras mundiais de aços especiais para o setor automotivo. Além disso, é a maior recicladora de sucata ferrosa da América Latina, transformando a cada ano 11 milhões de toneladas de sucata em aço.

A XP observa que a Gerdau se beneficia pelo aquecimento do mercado imobiliário americano, impulsionado pela conta de infraestrutura do governo, e pela retomada da demanda no Brasil. Ao mesmo tempo, a diversificação de operações da empresa não só a ajuda a capturar os benefícios dos altos preços do aço em todo o mundo, como blinda a companhia de riscos domésticos.

“Uma potencial desaceleração da economia brasileira teria impacto mais limitado à Gerdau, quando comparada a outras siderúrgicas nacionais, uma vez que a companhia possui exposição relevante aos Estados Unidos e outros países da América Latina”, escreve.

A propósito, a diversificação geográfica também é lembrada pela MyCap. “A Gerdau possui expressiva exposição ao mercado internacional, com destaque para os Estados Unidos, onde entendemos que a demanda por produtos da companhia está em crescimento, impulsionada pelos projetos de infraestrutura”, afirma. “O crescente aumento dos custos com matérias-primas ao longo dos últimos meses foi compensado pelo crescimento das receitas.”

Vale (VALE3) – 5 indicações: Ágora, Ativa, Órama, Elite e XP

Mais uma vez, os preços do minério de ferro não ajudaram muito a Vale: a tonelada da commodity negociou a US$ 103, queda de 4% sobre outubro, depois de cair 6% e 15% nos meses anteriores. A política de restrição à produção de aço da China permanece em vigor, muitos altos-fornos foram desligados para manutenção e a demanda por concentrados tem sido fraca, já que as siderúrgicas compram principalmente sob demanda.

“No entanto, mesmo considerando uma curva de minério de ferro mais conservadora no futuro, ainda vemos a Vale apresentando um sólido fluxo de caixa livre e fortes dividendos nos próximos anos”, diz a XP, que mantém a recomendação de compra para o papel.

Os múltiplos atrativos são outro ponto que continua chamando a atenção da XP. “Em nossa opinião, a Vale está negociando a um múltiplo EV/EBITDA de 3,0x abaixo da média histórica, e esperamos que essa diferença caia adiante, frente a distribuição de dividendos diante da forte geração de caixa, melhores práticas ambientais, sociais e de governança.”

A Ativa reconhece que o mercado está mais desafiador para a Vale e prevê que os preços da commodity permanecerão pressionados, o que torna improvável o aumento da rentabilidade da operação no curto prazo. “Mas ela se propõe a manter a resiliência operacional, através da execução de estratégia que privilegia valor sobre o volume. Diante dos novos condicionantes mercadológicos, a companhia deverá seguir incrementando sua capacidade de oferta de minério de ferro de forma apenas gradual”, escreve.

Weg (WEGE3) – 4 indicações: Ágora, Guide, MyCap e XP

Com uma recomendação a menos perante o mês passado, a Weg tem escopo de atuação muito amplo – a fabricação de motores é apenas uma de suas facetas. E sabe olhar para o futuro, já que algumas de suas atividades se relacionam com temas como eficiência energética e fontes renováveis, o que coloca a companhia ainda mais em evidência nestes tempos de valores ESG.

Isso foi valorizado pela Guide, que enxerga na Weg um modelo de negócio inovador e sustentável, “que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia e produtos com menor impacto ambiental, como sua linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica. A empresa é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica”, escreve a corretora.

A MyCap destaca as vantagens e oportunidades trazidas à empresa por sua exposição internacional. “A companhia desenvolve soluções para atender as necessidades voltadas à eficiência energética, energias renováveis e mobilidade elétrica e possui operações industriais em 12 países e presença comercial em mais de 135 países. Isso eleva sua atratividade e dilui riscos específicos regionais e de câmbio”, diz a corretora. “Ampliando a presença nos EUA, ela poderá se beneficiar dos estímulos de investimentos na área de infraestrutura.”

Já a XP argumenta que a queda de -12% da WEGE3 em novembro, ante -3% do Ibovespa, foi causada por “razões exógenas, com ações de alta qualidade (como a própria Weg) sofrendo uma redução relativa mais significativa em relação a seus múltiplos de valuation”. E exalta o potencial de crescimento da empresa no longo prazo, apoiado na recuperação das economias e na transição energética para fontes renováveis. “Vemos de modo confortável as perspectivas de crescimento orgânico para os segmentos explorados pela empresa, que é uma das companhias mais bem posicionadas na ótica ESG de nossa cobertura.”

Itaú Unibanco (ITUB4) – 4 indicações: Ativa, BTG, Genial e Guide

Maior banco privado do país em termos de carteira de crédito, o Itaú reportou no terceiro trimestre um resultado com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, acima do consenso de mercado, e ROE de 19,7%. O bom desempenho foi impulsionado pelo crescimento da margem financeira com clientes, que atingiu R$ 17,5, por conta do maior volume de carteira, de um mix mais voltado para linhas com maiores spreads e crescimento das receitas de serviços, com destaque para cartões e seguros

Essa performance entusiasmou a Guide. “O banco está apresentando um forte desempenho operacional, com crescimento da carteira de crédito e manutenção da qualidade dos ativos, além de estar expandindo atuação no digital através do Iti, que já conta com 10 milhões de contas”, comenta a corretora.

O setor passa por diversos desafios, como a concorrência com fintechs e bancos digitais, o open banking (que obriga os bancos a compartilhar informações com outras instituições, a pedido do cliente, eliminando barreiras de entrada) e a alta da CSLL de bancos (de 20% para 25%). Apesar disso, a Ativa vê motivos para recomendar o papel. “O Itaú tem boa qualidade em sua carteira de crédito, com níveis saudáveis de inadimplência, e uma diretoria proativa a esses desafios, buscando trazer tecnologia ao banco, ao mesmo tempo que conserva seus diferenciais, como o relacionamento com o cliente e uma gama ampla de produtos e serviços.”

Arezzo (ARZZ3) – 4 indicações: Ativa, BTG, Genial e XP

Líder no segmento de calçados brasileiros, a Arezzo tem feito aquisições que ampliaram muito o seu mercado endereçável, como a operação da Vans no Brasil, no fim de 2019, e a marca de moda masculina Reserva. “Elas reforçam sua estratégia de se tornar uma plataforma de marcas mais ampla, uma autêntica house of brands, que atinge um mercado potencial maior”, explica a Ativa. “O resultado do 3T21 corroborou nossa tese de investimentos, com forte expansão de receita e margens atraentes.”

Mais de um terço de seu público pertence às classes A e B, o que proporciona resiliência em crises. Mas a compra da MyShoes, que comercializa bolsas e calçados a preços médios mais acessíveis, abre uma nova avenida de crescimento entre o público das classes B- e C+. “Já a Baw, sua aquisição mais recente, atinge um público mais jovem e tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Mas ainda não possui atuação no mercado de calçados, abrindo a oportunidade de aproveitamento da expertise da Arezzo para a criação de coleções voltadas ao estilo streetwear“, acrescenta a corretora.

A XP reconhece que as ações da Arezzo apresentaram um desempenho inferior ao Ibovespa no mês, devido à deterioração do cenário macroeconômico, que machucou as empresas de consumo discricionário. Mesmo assim, mantém uma visão positiva para o papel. Ela destaca que a Arezzo tem um modelo asset light, com rede altamente capilarizada de franquias e multimarcas (50%-60% das vendas) e terceirização da produção.

“Esse modelo permite à empresa focar no desenvolvimento de seus produtos e na gestão/construção das suas marcas. Como resultado, a Arezzo entregou consistentemente uma sólida geração de caixa, com histórico de conversão FCF/Ebitda de 64% e um pagamento médio de dividendos de 80% do lucro líquido“, analisa.

Outra virtude exaltada pela XP é sua capacidade de acompanhar as tendências dos consumidores com rapidez. Ela cria mais de 11 mil modelos por ano, que são selecionados antes de chegar ao consumidor final. “Isso é alavancado pelo rápido tempo médio de entrega da empresa de 40 dias, desde o design do produto até seu lançamento, com reabastecimento em 3 a 4 semanas”, descreve.

Lojas Renner (LREN3) – 4 indicações: Ágora, Ativa, Elite e Warren

A “volta ao normal” depois de uma longa pandemia foi corroborada pelos números da Renner no terceiro trimestre de 2021. Mesmo com o fluxo de pessoas ainda reduzido nas lojas físicas, ela mostrou uma formidável recuperação da receita, que inclusive já superou a de 2019. “Em um momento de pressão no cenário macroeconômico, o fato de a companhia estar capitalizada é positivo, além de permitir que ela aproveite possíveis oportunidades de fusões e aquisições que complementem seu ecossistema”, escreve a Ativa.

Aliás, um dos pilares para o crescimento da Renner é justamente seu plano de expansão de lojas. A empresa, dona também das marcas Camicado, Youcom, Ashua e Realize, vai expandir ainda mais a sua já robusta rede, que deve ganhar outros 100 pontos de venda até 2025.

A leitura da Ativa é que a companhia está bem posicionada para capturar a retomada do varejo de moda, tanto em suas lojas físicas quanto nas plataformas digitais, que dialogam entre si por meio de uma estratégia omnichannel.

“Isso permite que um cliente que comprou uma peça no site da companhia, faça a troca em uma loja física, criando oportunidades para novas vendas e entregando comodidade e uma melhor experiência ao cliente. Tais iniciativas são favorecidas pela forte capilaridade e ampla disposição geográfica das lojas físicas”, diz a corretora.

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