Juros elevados na ponta, cobrança de até R$ 80 por mês com administração de conta corrente, R$ 1.000 de anuidade de cartão de crédito, taxa de administração para fundos de renda fixa conservadores.

Tudo isso ainda é realidade no setor bancário, mas é um cenário que começa a se desfazer em um ambiente de competição massiva e de busca por eficiência.

Nesse cenário, o PIX, novo sistema de transferência de recursos do Banco Central que promete acabar com o TED e DOC, é apenas uma parte da forte transformação pela qual passa o setor bancário no Brasil.

A avaliação é de Rafael Pereira, presidente da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) e CEO da fintech de crédito Rebel. Veja abaixo a entrevista concedida pelo executivo ao 6 Minutos.

Como o PIX deve mudar o mercado brasileiro? Não é só o PIX. Acho que o sistema bancário como um todo está passando por um processo massivo de competição e de eficiência.

Era um sistema que era totalmente mal precificado, e que agora passa a ser altamente competitivo com o uso da tecnologia. Acabou a era dos bancos ganharem dinheiro fácil.

Se você está pensando em atuar nesse ambiente, seja como banco, seja como fintech, tem que pensar no seu diferencial competitivo.

Qual era o cenário até agora? Os bancos ganhavam muito com juros, cobravam R$ 80 por mês por conta corrente, anuidade de cartão de crédito. Tudo isso vai acabando, com novos concorrentes oferecendo fundos com taxas mais baixas, conta corrente e cartão de crédito de graça.

É um processo de destruição de paradigmas absurdo, e que já vem acontecendo há alguns anos.

E como a pandemia mudou isso? Estamos vivendo um ponto de inflexão, em que a tendência é que cada vez mais o consumidor tenha diferentes serviços financeiros à disposição.

Não tenho dúvidas que a pandemia acelerou esse processo. Meu pai, por exemplo, era super resistente ao serviço bancário digital, e está vencendo essa barreira.

O consumidor está mais disposto a diversificar serviços em mais de um banco ou instituição financeira? Sim. É um ambiente bem mais descentralizado, menos monolítico. Se posso ter um financiamento específico com taxa melhor no banco A, porque vou manter todos meus recursos no banco B?

Esse sistema financeiro muito mais aberto se assemelha ao unbudling da telefonia [desagregação de pacotes de serviços de telefonia, internet e TV oferecidos pelas operadoras]. Antes você comprava o pacote, TV, internet e telefone fixo.

Isso também acontece no setor financeiro. Antes tinha conta corrente, cartão, poupança, crédito, tudo num pacote só, em um banco. Acho que a tendência é que isso seja mais bem distribuído. Alguns tem conta no Itaú mas o cartão é Nubank, e por aí vai. É um relacionamento mais transparente, e uma tendência puxada pela tecnologia.

Rafael Pereira, presidente da ABCD e CEO da Rebel (Crédito: ABCD)

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