Pela primeira vez desde abril do ano passado, os fundos multimercado, que investem em diferentes produtos, como renda fixa e ações, apresentaram saída de R$ 6,5 bilhões em janeiro, segundo dados da Anbima (Associação das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais). Ao mesmo tempo, houve uma forte entrada nos fundos de renda fixa: a categoria ficou no azul em R$ 29,2 bilhões, a maior captação desde agosto de 2020.

Para analistas, esse movimento de comecinho de ano é um ajuste ao cenário do ano passado, e deve se reverter nos próximos meses. Ao longo de 2020, tanto os multimercado como os fundos de ações se tornaram os queridinhos dos investidores (somadas, as duas categorias viram entrar R$ 173 bilhões em recursos).

Isso aconteceu em parte porque a taxa de juros básica, que em janeiro estava em 4,25% ao ano, já então o menor patamar da histórica, foi sendo reduzida até bater 2% em agosto, o que retirou a atratividade dos produtos mais conservadores: os fundos dedicados à renda fixa tiveram uma debandada de R$ 40 bilhões em 2020.

Além disso, a bolsa entregou um bom desempenho no segundo semestre, o que animou os investidores. As pessoas físicas que investiram em ações quando o Ibovespa mergulhou por causa da pandemia de coronavírus obtiveram um ótimo retorno quando houve a recuperação dos principais papéis, estimulando aplicações em ativos mais arriscados.

Ajuste em janeiro

Para Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Research, janeiro foi um mês de ajuste a esse cenário, com parte dos investidores reavaliando suas carteiras. Ela lembra que os multimercado, que aplicam recursos em diferentes tipos de ativos, mesclando renda fixa com variável, são uma espécie de entrada para o investidor da renda fixa no mundo dos produtos financeiros de maior risco.

“Entramos neste ano com um pouco mais de estabilidade percebida pelos investidores. Temos vacinas, uma sensação de maior segurança, e vemos a inflação subindo e alguns agentes apontando alta da taxa de juros até o final de 2021”, aponta. “Além disso, a bolsa deu uma balançada em janeiro. O investidor conservador pensa: posso voltar para a renda fixa”.

Apesar disso, a analista não vê esse movimento de janeiro como uma tendência para o resto do ano. “Acredito que vamos continuar tendo em 2021 um aumento maior da renda variável. Mesmo que a taxa Selic vá para 3% ou 3,5%, o que é consenso no mercado, a renda variável continuará atraindo investidores”.

E os fundos de ações?

Diferentemente dos multimercado, que têm um pouco mais de risco mas que acabam balanceando a volatilidade com investimentos mais conservadores, os fundos que investem principalmente em ações e que são abertos (ou seja, que permitem novos aportes a qualquer momento), tiveram entrada de recursos, de R$ 1,5 bilhão no mês passado.

Esses fundos representam mais de 90% do patrimônio da categoria.

No caso dos fundos fechados, que proíbem a entrada de novos investidores ou recursos após um período inicial (o resgate é feito em uma data pré-determinada), houve saída de R$ 42 bilhões. Muitos fundos fechados tradicionalmente estipulam 29 de janeiro como data de resgate.

 

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