A taxa de juros que já estava baixa para os padrões brasileiros ficou ainda menor após o Copom (Comitê de Política Monetária) cortar a Selic para 2,25% nesta quarta-feira (17). Juros baixos importam, mas não devem ser os únicos balizadores para estruturar uma carteira de investimento. Ainda que ela seja de investidores conservadores, que preferem alocar seus recursos em renda fixa a ações.

É hora de desapegar do “quanto rende do CDI”, sugere Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos. O norte deve ser quanto o título de renda fixa entrega de retorno real.

Por exemplo: um título de crédito privado da Raízen, do setor de combustível e logística, rende CDI mais uma taxa de 3% ao ano. Isso vai significar algo próximo a 5% ao ano. É preciso descontar disso a inflação, na faixa de 1,80%. O rendimento real do investimento é de 3,20% ao ano.

Segundo Pegorini, é um bom retorno a ser perseguido por investidores conservadores e quem aplica em renda fixa.

“Não vale mais olhar só o CDI, porque não foi só o juro que caiu. A inflação também caiu”, destaca Pegorini. No fim do dia, é o rendimento real que importa.

O mercado reagiu: as empresas emissoras de títulos, e Pegorini cita Raízen, Braskem e Suzano como referência, percebem que devem dar mais atratividade aos títulos. Então aumentaram a taxa que paga, além do CDI, para algo entre 2% e 3%, na média. O aumento não chega a ser prejudicial porque elas próprias captam recursos a juros também baixos.

Em tempo: quanto menor a Selic, menor é o CDI, o referencial de juros pagos pelos bancos quando há empréstimos entre eles.

Onde mais investir além de crédito privado? Fundos de investimentos imobiliários  – em tempos de pandemia vale a pena priorizar os de galpões e logística e os que aplicam em CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Segundo Pegorini, em geral, eles devem render CDI + 2% ano ano ou IPCA + 6% ao ano.

Já tenho meus investimentos. Como saber se estão bons? A cada seis meses vale a pena parar para olhar os dados acumulados nos últimos 12 meses, sugere Pegorini. É preciso sondar qual foi a inflação nesses mesmos 12 meses e descontá-la da rentabilidade do fundo. Se o retorno real foi de pelo menos 3%, está ok.

Se foi menos, é preciso rever seu portfólio.

Afinal, qual a carteira ideal para um investidor conservador?

Primeiro, é preciso ter uma reserva de emergência, que precisa equivaler a seis meses o custo de vida do investidor. O dinheiro pode ser em um fundo DI ou nos títulos do Tesouro Nacional. Esse dinheiro vai render 100% do CDI – paciência, é melhor assim. O cuidado do investidor deve ser o de não pagar mais que 0,2% na taxa de administração.

Depois da reserva de emergência, o dinheiro disponível para investimento deve ser dividido em quatro partes. Veja a recomendação de Pegorini:

  • 35% em fundos de crédito privado que entreguem um rendimento real (CDI + taxa da empresa – inflação) de 3% ao ano. Espalhe o dinheiro entre três e cinco fundos diferentes.
  • 35% em fundos imobiliários. A dica de espalhar o dinheiro entre três e cinco fundos diferentes também vale aqui.
  • 15% entre três e cinco fundos multimercados
  • 15% restantes devem ir para fundos de ações – também há opções mais conservadoras.

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