A pandemia de coronavírus intensificou ainda mais uma situação que já era observada no Brasil: a maior parte dos saques de dinheiro acontece em bairros de classes C e D.

Dados do Banco24Horas mostram que, em média, 65% dos saques realizados em caixas eletrônicos entre março e abril foram realizados nessas regiões. Antes da pandemia, esse percentual era de 60%, segundo Marcos Mazzi, gerente-executivo de autoatendimento da TecBan, dona da rede.

“As classes C e D são as que mais sacam. Entre 29% e 30% dos brasileiros recebem em dinheiro vivo”, explica.

O aumento dessa participação durante a pandemia aconteceu, segundo ele, por duas razões: retiradas que anteriormente eram feitas em regiões mais centrais das grandes cidades, com grande fluxo de pessoas, passaram a ser feitas em bairros mais afastados por causa do isolamento social.

Além disso, muitos informais sacaram o auxílio-emergencial de R$ 600 em dinheiro.

Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ajudam a entender esse cenário: sete em cada 10 beneficiários do programa Bolsa Família não possuem conta bancária, e sacam esses recursos, que foram triplicados por causa do auxílio emergencial.

A rede 24 Horas possui mais de 23 mil caixas eletrônicos nas cinco regiões brasileiras, atendendo 830 municípios.

“São equipamentos que estão em supermercados, farmácias, postos de gasolina. Enfim, em comércios considerados essenciais, e que portanto não fecharam”, explica.

Como a crise mudou os hábitos de retirada de dinheiro pelos brasileiros? No caso dos caixas eletrônicos instalados em bairros com mais moradores das classes A e B, houve uma queda na quantidade de saques, mas um aumento do valor sacado. “As pessoas passaram a fazer menos saques de maior valor por causa do isolamento social”, explica Mazzi.

Mas não é só isso. “Quem mora na periferia e ia trabalhar na região da avenida Paulista, por exemplo, deixou de sacar perto do trabalhou e passou a sacar dinheiro perto de casa”.

Bairros da classe A:

– queda de 29% na quantidade de retiradas

– alta de 12% no valor médio de saque

Bairros da classe B:

– queda de 12% na quantidade de retiradas

– alta de 13% no valor médio de saque

No caso dos bairros com mais moradores das classes C e D, houve aumento tanto na quantidade quanto no valor médio sacado. “Aí há um papel mais forte do auxílio emergencial”, explica Mazzi.

Bairros da classe C:

– alta de 3% na quantidade de retiradas

– alta de 16% no valor médio de saque

Bairros da classe D:

– alta de 11% na quantidade de retiradas

– alta de 20% no valor médio de saque

A circulação de dinheiro em espécie aumentou durante a pandemia? Sim. Dados do Banco Central pesquisados pelo 6 Minutos mostram que, desde o início da pandemia, acima de R$ 70 bilhões passaram a circular a mais em notas e moedas no Brasil.

Além do saque emergencial, a quarentena imposta pelo avanço da infecção pelo país reduziu drasticamente as vendas do comércio e serviços. Ou seja, um dinheiro que normalmente seria gasto em lojas ou restaurantes acabou não fazendo esse “caminho de volta” aos bancos.

Por fim, com medo das consequências da crise, muitas pessoas e empresas estão optando por manter uma reserva de emergência em espécie.

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