Que os juros do cheque especial estão entre os mais altos que os bancos oferecem você já sabia, certo? A taxa média estava em 306,9% ao ano em agosto (último dado divulgado). Mas o que não se sabia é que o uso do cheque especial é mais recorrente entre a população do que se tinha ideia. Um em cada cinco brasileiros acaba utilizando essa modalidade mais cara de crédito todo mês, revela pesquisa do Guiabolso com 245 mil usuários.

Vale lembrar que a taxa básica de juros, a Selic, está em 5,5% ao ano, o menor patamar da história.

Não se trata de um ponto fora da curva. A evolução do uso do cheque especial revela que esse patamar de 20% dos usuários se manteve ao longo dos últimos 12 meses. Em outubro de 2018, por exemplo, era de 20,54%.

Os dados foram recolhidos pelo Guiabolso, que é uma fintech que desenvolveu um aplicativo de organização recomendação de finanças pessoais com 5,6 milhões de usuários cadastrados. A empresa foi fundada em 2014.

E qual o gasto médio do brasileiro que entra no cheque especial? Ele fica em torno de R$ 100, segundo o levantamento do Guiabolso, com algumas variações. Em agosto, foi de R$ 107,25, mas, em abril passado, chegou a R$ 120,90. No início do ano, em janeiro, caiu ao menor nível dos últimos meses, para R$ 97,70, possivelmente graças ao impacto positivo proporcionado pela segunda parcela do 13º salário na renda dos brasileiros.

O outro campeão dos juros altos é o rotativo do cartão de crédito. Ele também é muito utilizado? Não. A pesquisa do Guiabolso com 245 mil usuários em todo o país mostrou que apenas um em cada vinte brasileiros fez uso dessa modalidade de crédito em agosto, quando os juros estavam em 307,2% ao ano.

Em média, os brasileiros que caíram no rotativo do cartão de crédito gastaram R$ 87,31 em agosto. Esse valor havia sido de R$ 96,32 em junho.

O que dizem os analistas? “É aceitável usar o cheque especial por alguns dias por causa de uma emergência ou um pequeno ajuste no orçamento. Agora, se a situação se repete todo mês, o problema é mais grave e pode exigir ajustes e uma visão mais detalhada e frequente do orçamento, de quanto e de como se gasta”, afirma o diretor de Produto e Tecnologia do Guiabolso, Julio Duram.

“Acredito que o open banking possa contribuir com juros menores e personalizados”, disse Duram, em referência às regras que permitem que cada consumidor seja o dono do próprio histórico de crédito e de pagamentos e que possa fazer uso desses dados livremente com instituições financeiras para obter as menores taxas de juros. O Banco Central estuda fazer adotar o open banking em 2020, com um período de transição.

Por que os juros do cheque especial são tão altos? Há alguns fatores que explicam, como a margem de ganho dos bancos diante da concorrência limitada e o elevado índice de inadimplência nessa modalidade de crédito. Um estudo do Banco Central revelou que, de cada R$ 100 emprestados por meio do cheque especial, os bancos ficam com R$ 96, já descontadas as despesas que eles possuem com a captação dos recursos e a inadimplência.

 

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