A XP revisou hoje suas recomendações de compra de ações do setor varejista em meio à expectativa de cenário econômico para o próximo ano. Pesaram nessa decisão a piora das projeções para 2022, como desaceleração do PIB (de 1,3% para 0,8%), mais juros (de 9,25% para 11%), mais inflação (de 3,9% para 5,2%) e pressão do câmbio (de US$ 5,10 para U$ 5,70).

“Essas mudanças impactam negativamente o consumo uma vez que levam a uma redução de renda disponível e de disponibilidade e apetite de crédito. Além disso, a incerteza política, que deve ser ainda maior em um ano de eleições presidenciais, também é um desafio para a confiança do consumidor”, diz relatório assinado por pela head de varejo Daniella Heiger e pelos analistas de varejo Thiago Suedt e Gustavo Senday.

E como ficaram as revisões? No relatório, a XP afirma que adotou “uma abordagem mais defensiva, com foco em segmentos mais resilientes e nomes de alta qualidade, uma vez que o ano de 2022 deve ser desafiador para o setor de consumo enquanto as eleições brasileiras devem trazer volatilidade para o mercado”.

Rebaixou para neutra os papéis de:

  • C&A (CEAB3)
  • d1000 (DMVF3)
  • Enjoei (ENJU3)

Aumentou recomendação de compra de:

  • RD (RADL3)
  • Lojas Renner (LREN3)

Mantém visão positiva para:

  • Empresas de bom custo x benefício: Assaí e Multilaser
  • Companhias expostas à alta renda: Arezzo, Grupo Soma, Vivara

Esse cenário pode mudar? Sim. Mas a corretora observa que o mercado pode ficar mais otimista com avançi de “discussões políticas em andamento (por exemplo, precatórios e privatizações/desinvestimentos), bem como definições dos candidatos para as eleições de 2022”. “Além disso, um fluxo de notícias mais positivo sobre a Black Friday e/ou as compras de fim de ano também podem ser potenciais gatilhos de curto prazo para os papéis.”

Por que a visão é favorável para atacarejo e farmácias? O atacarejo é um setor essencial e que acaba ganhando novos consumidores com o aprofundamento da crise, já que é um canal mais barato de compra. “O setor farmacêutico é um setor seguro para se estar alocado. […] As farmácias são uma categoria resiliente, que tem apresentado resultados sólidos, o que deve ser mantido daqui para frente à medida que o fluxo nas lojas continua a se recuperar e os consumidores voltam a fazer atendimentos médicos que acabaram sendo adiados por conta da pandemia.”

E o que a alta renda tem a ver com isso? Nada. “Esperamos que os varejistas de alta renda continuem a se beneficiar de uma demanda reprimida de consumo e da “poupança circunstancial” construída durante a pandemia”, diz o relatório da XP.

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