Se você perguntar o que faz o Magazine Luiza, a Casas Bahia ou a Americanas, é provável que a resposta da maioria das pessoas esteja na ponta da língua. Mas será que o mesmo aconteceria se a pergunta fosse sobre a WEG? Apesar de não ser conhecida pela maioria dos brasileiros, a empresa do setor industrial parece ser bem avaliada e desejada pelos investidores.

As ações da WEG acumulam valorização de 58% na bolsa de valores desde janeiro, atrás somente da B2W (dona dos sites Submarino e Americanas), do Magazine Luiza e da Via Varejo (dona da Casas Bahia e Ponto Frio). Depois de cair 47% no início de março, pior momento da pandemia do coronavírus, a ação da empresa colocou-se de pé novamente e está na maior cotação da história.

O que faz a WEG? A empresa, fundada em 1961, é especializada na produção de componentes elétricos e mecânicos. O portfólio de produtos vai desde turbinas de usinas hidrelétricas, passando por painéis solares, componentes de máquinas de lavar roupa e ar-condicionado, até softwares de automação. A WEG tem escritórios em 33 países espalhados por todos os continentes, e fábricas no Brasil, China, Índia, Áustria, Alemanha, Espanha, Portugal, Estados Unidos, México e Argentina.

Fábrica da WEG em Santo Tirso, cidade de Portugal.
Crédito: Divulgação

Por que ela está indo bem na bolsa? Alguns fatores explicam por que a WEG está em alta no gosto dos investidores. Aqui vão os principais:

Diversidade de portfólio

A capilaridade dos parques fabris explica parte do avanço das ações mesmo durante a crise do coronavírus. “Cada país teve um quadro e um momento diferente da pandemia, então a WEG não chegou a parar completamente a produção”, explica Henrique Esteter, analista da corretora Guide.

Presença no exterior

A paralisação do consumo causou um baque nas indústrias do mundo todo, mas a WEG foi menos impactada. Ela produz equipamentos para atividades que não devem parar, mesmo que o consumo das famílias diminua. Os equipamentos para parques e usinas de energia elétrica, por exemplo, devem continuar sendo demandados, pois os projetos do setor são de longa duração de investimentos.

Dólar

Além disso, como qualquer outra exportadora a WEG se beneficia da valorização do dólar. “Grande parte da receita da empresa é dolarizada, seja em razão das exportações ou das unidades produtivas no exterior”, diz Esteter, da Guide. Por vender produtos de maior valor agregado, a WEG é ainda mais beneficiada pelo efeito do câmbio.

Tecnologia

A WEG também tem feito um grande esforço para reforçar sua participação no setor de tecnologia. Recentemente a empresa adquiriu startups de inteligência artificial e de tecnologia industrial, ampliando o braço batizado de WEG Digital Solutions. A ideia é que a empresa continue sendo uma grande fornecedora de equipamentos industriais e que amplie a atuação em automação e na chamada indústria 4.0.

Soluções para o futuro

Ser uma empresa que investe em soluções sustentáveis em larga escala faz com que a WEG esteja muito bem posicionada para um futuro que bate cada vez mais à porta. A eficiência energética, por exemplo, tem sido uma grande preocupação de empresas, governos, e até de cidadãos comuns. O crescimento da produção de energia por fontes mais sustentáveis é só uma prova disso.

Solidez e boa governança

Hoje, 65% das ações da WEG estão nas mãos das três famílias fundadoras da empresa, e outros 35% são negociados abertamente na bolsa. A gestão da companhia é considerada sólida e transparente, com decisões acertadas de investimento e expansão. “Talvez seja o melhor exemplo de estrutura de controle na bolsa de valores, e o engraçado é que mesmo assim poucas pessoas conhecem bem a WEG”, pontua Esteter, da Guide.

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