Wall Street afundou nesta quinta-feira (12), encerrando o maior período de mercado em alta da história nos Estados Unidos. Isso aconteceu depois que novas restrições a viagens para conter a pandemia de coronavírus assustaram investidores e abalaram os mercados mundiais.

O Dow Jones recuou 9,99%, para 21.200.62 pontos, o S&P 500 perdeu 9,51%, para 2.480,64 pontos, e o Nasdaq Composite retrocedeu 9,43%, para 7.201,80 pontos.

O índice de referência S&P 500 e o Nasdaq perderam mais de um quarto de seu valor desde que atingiram níveis recordes de fechamento há apenas 16 sessões, enquanto nações de todo o mundo discutem como conter o coronavírus, em rápida evolução, e seus efeitos econômicos.

O que aconteceu? A proibição de viagens da Europa para os Estados Unidos pelo presidente Donald Trump, anunciada na quarta-feira (11), levou os três principais índices de ações norte-americanos a despencarem, com o S&P 500 e o Nasdaq confirmando seu primeiro bear market desde a crise financeira.

O bear market é confirmado quando um índice cai 20% ou mais abaixo da máxima mais recente de fechamento. O principal índice do Dow Jones sofreu sua pior perda em um dia desde a segunda-feira negra, em outubro de 1987.

“A ação negativa contínua no mercado está nos dizendo que tudo o que foi feito até agora não foi suficiente”, disse Joseph Sroka, diretor de investimentos da NovaPoint em Atlanta. “As pessoas não conseguem apontar para um resultado tangível que vá restaurar a vida diária normal, então a incerteza permanece.”

Quais são os fatores que explicam a queda? As abrangentes restrições de viagens de Trump, que limitam os voos da Europa continental para os Estados Unidos, encaminharam as ações europeias às mínimas em quase quatro anos, e derrubaram as ações aéreas, já atingidas pela propagação do Covid-19.

Em Wall Street, as companhias aéreas despencaram 19,6%. A Boeing Co recuou outros 18,1%, com o J.P. Morgan abandonando seu suporte de longo prazo às ações da empresa, encaminhando a fabricante de aviões para a sua pior semana na história.

Os rendimentos dos treasuries caíram à medida em que aumentava a expectativa de flexibilização agressiva por parte do Federal Reserve. A ação veio com a filial de Nova York do Fed, que anunciou a injeção de US$ 1,5 trilhão de dólares através de suas operações de recompras de títulos (conhecidas como repo market).

O índice de volatilidade CBOE, um indicador da ansiedade dos investidores, subiu para níveis nunca vistos desde novembro de 2008, o auge da crise financeira.

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