A partir de setembro, o investidor brasileiro com menos de R$ 1 milhão aplicados vai poder comprar, em reais, recibos de ações negociadas em bolsas no exterior, os chamados BDRs. Esses papéis já são negociados na B3, só que até agora estavam restritos aos grandes investidores.

Mas como essas aplicações vêm se comportando na Bolsa, e quais as mais negociadas? O 6 Minutos preparou um guia para você saber quais mais se valorizaram de um ano para cá e como funciona esse mercado, com suas vantagens e desvantagens.

Neste ano, esses recibos que acompanham os ganhos e perdas de ações gringas tiveram um volume médio diário de negociação de R$ 59,8 milhões, um aumento de 267% na comparação com o mesmo período de 2019, segundo levantamento da consultoria Economática.

Os mais rentáveis

Nos últimos 12 meses encerrados em 12 de agosto, o maior ganho entre os BDRs negociados na Bolsa foi, de longe, da Tesla, empresa criada por Elon Musk que se tornou a montadora mais valiosa do mundo. A alta em reais foi de impressionantes 821,7%.

Em seguida vem a Nvidia, que recentemente passou a Intel como a empresa de chips mais valiosa dos EUA: os BDRs da empresa se valorizaram 307,7% no período.

Em terceiro lugar nesse ranking vem a Apple, a primeira empresa a atingir um valor de mercado de US$ 2 trilhões: a alta dos BDRs em reais atingiu 213%, segundo o levantamento da Economática.

Aqui é importante lembrar a regra que vale para qualquer investimento: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Veja abaixo o ranking completo:

Os mais negociados

Saber quais foram os BDRs mais negociados é importante porque esses papeis possuem muito menos liquidez no mercado brasileiro do que no exterior.

Apesar de hoje existirem mais de 550 empresas estrangeiras disponíveis para investimento na B3, 328 dessas aplicações tiveram menos de R$ 10 mil de negociação diária e 188 não tiveram negócios no último mês.

Nos últimos 12 meses, os BDRs com maior negociação foram os da Amazon, da argentina Mercado Libre e da Alphabet, dona do Google.

Ganha ou perde que nem a ação gringa?

Sim. BDR é um nome complicado para recibos que representam papéis de empresas listadas em bolsas de outros países, e que ganham ou perdem valor de acordo com a movimentação nas suas bolsas de origem.

Ao adquirir um BDR –que são vendidos em lotes mínimos de 10 – você está comprando um recibo lastreado com ações da empresa.

Esse papel acompanha exatamente a variação do preço daquela ação, mas é importante ter em mente que existe a diferença do câmbio. Se estamos falando de uma empresa americana, por exemplo, uma variação para cima ou para baixo do dólar impactará no valor que o investidor vai ganhar ou perder no final do dia.

Vantagens

A principal vantagem de investir em empresas estrangeiras através dos BDRs é o fácil acesso. A partir de setembro, parte desses papéis já começa a aparecer no home broker da corretora do investidor, ou seja, está ali a um clique.

A decisão de abrir esse mercado para o varejo foi tomada na semana passada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em resposta a um pedido antigo de entidades do mercado, inclusive da própria Bolsa.

Para Paloma Brum, economista da Toro Investimentos, a decisão abre um mundo de aplicações para o brasileiro. “A Bolsa brasileira tem poucas ações, pouca representatividade. Você olha para o mercado americano e lá há 2,7 mil ações listas. Abre um universo para uma diversificação maior do portfólio”, avalia.

Desvantagens

Apesar da facilidade de investimento nos BDRs, a avaliação de algumas corretoras é que pode valer mais a pena abrir uma conta em uma corretora no exterior e investir diretamente em ativos em outros países.

Um dos motivos é exatamente a baixa liquidez das aplicações negociadas na B3. Outro é que os BDRs possuem custos que não são aparentes, mas que acabam onerando a aplicação.

Segundo Roberto Lee, fundador e presidente da Avenue, corretora americana com foco no público brasileiro, muitos desses papéis cobram 5% do valor recebido pelo acionista para fazer o processamento do pagamento.

Ao fazer a conversão do valor a ser pago pelo câmbio do dia, a cotação usada não necessariamente será a melhor.

“O que vemos acontecer no Brasil são sempre tentativas de acesso indireto a esse mercado, que vão na contramão do mundo. Não deixa de ser uma forma de ampliar o escopo para os investidores, mas é um produto pouco eficiente se comparado ao acesso direto”, critica.

 

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