O índice Ibovespa é formado por uma carteira teórica de ações que possuem grande relevância no mercado no momento, em função do volume negociado e da liquidez dos papéis. Por isso, a composição dessa carteira vai mudando ao longo do tempo. Nos rebalanceamentos, que são feitos a cada quatro meses pela B3, empresas novas entram, algumas já presentes têm seu peso revisado para cima ou para baixo e outras saem de cena.

E muitas águas rolaram desde 1967, quando o índice foi criado. A fabricante de cobre Paranapanema foi um dos nomes mais fortes do Ibovespa por muitos anos, depois perdeu peso e saiu. A própria Vale ganhou mais peso recentemente, assim como Magazine Luiza, que passou a ter maior relevância no mercado com a ascensão do varejo eletrônico. Hoje, a carteira conta com 84 papéis, que representam 85% do volume movimentado na Bolsa brasileira.

A plataforma de informações financeiras Economatica analisou a trajetória do Ibovespa nos últimos 20 anos. De lá para cá, o índice como um todo teve ganho de 805%, o que dá uma valorização média de 11,9% ao ano. Ao longo desse percurso, 166 ações fizeram parte da carteira teórica. Dessas, 14 estiveram presentes em todos os 240 meses da amostra.

Quais ações mais se valorizaram no período? De acordo com o levantamento, as campeãs de valorização foram CSN, Gerdau e Itaúsa. Por outro lado, das 14 ações que permaneceram no índice durante esses 20 anos, apenas as duas da Petrobras (preferencial e ordinária) e a da Embraer registraram valorização inferior à do Ibovespa. Confira o ranking:

AçãoRetorno absoluto em 20 anos (%)Retorno médio anual em 20 anos (%)
CSN ON (CSNA3)9158%25,9%
Gerdau PN (GGBR4)4005%20,8%
Itausa PN (ITSA4)3781%20,5%
Bradespar PN (BRAP4)3380%19,8%
Banco do Brasil ON (BBAS3)3345%19,7%
Bradesco PN (BBDC4)2683%18,5%
Usiminas PNA (USIM5)2573%18,2%
Cemig PN (CMIG4)1999%16,8%
Itaú Unibanco PN (ITUB4)1933%16,6%
Braskem PNA (BRKM5)1415%14,8%
Sabesp ON (SBSP3)1306%14,4%
IBOVESPA805%11,9%
Petrobras PN (PETR4)712%11,3%
Petrobras ON (PETR3)554%10,0%
Embraer ON (EMBR3)84%3,1%

Quais são os setores mais representados?

O Ibovespa é um espelho das principais ações que estão sendo negociadas naquele momento, mas isso não significa que ele seja uma amostra representativa da economia brasileira como um todo. Vários setores importantes, como o agronegócio, ainda têm poucas empresas com capital aberto. Isso faz com que a variedade do Ibovespa seja limitada, ainda que hoje ela seja maior que no passado.

“No começo dos anos 2000, o Ibovespa tinha um viés forte de telecomunicações, com mais de 50%. Depois veio o boom de commodities, até crise de 2008, com Petrobras e Vale sozinhas respondendo por 30%. Com o tempo, as commodities perderam representatividade e os grandes bancos se tornaram mais relevantes”, lembra Alexandre Masuda, sócio da SFA Investimentos.

A Economatica contabilizou todos os setores que fizeram parte do Ibovespa nos últimos 20 anos. Telecomunicações teve a maior participação, seguido por energia elétrica e bancos. Veja a tabela, com todos os setores que tiveram pelo menos três ativos no índice:

SetorQuantidade
Telecomunicações20
Energia elétrica18
Bancos10
Construção residencial9
Loja de departamentos (Varejo)8
Indústria de aço8
Papel e celulose7
Comércio atacadista de petróleo e derivados6
Locadora de imóveis5
Abatedouros (Frigoríficos)5
Mineração4
Transporte ferroviário4
Extração de petróleo e gás4
Outras indústrias3
Escola de ensino superior3
Transporte aéreo regular3
Laboratório de exames médicos3
Adm de empresas e empreendimentos3
TOTAL GERAL166

A composição atual conta com dois papéis de tecnologia, Totvs e Locaweb, preenchendo uma lacuna que existiu até poucos anos atrás. A carteira tem 16,7% de bancos, 12,3% de mineração e siderurgia, 10,6% de petróleo e gás, 5,5% de energia elétrica e 5,3% de varejo – setor que só entrou na carteira em julho de 2008.

É um índice ainda muito concentrado em poucos setores, mas a evolução dos últimos 20 anos foi enorme. Em agosto de 2001, petróleo representava nada menos que 47,7% do índice, chegando a 49,8% em março de 2002. Os bancos são o setor mais forte desde o início de 2014, destronando petróleo, mas a participação dessas instituições já foi bem maior: em dezembro de 2018, chegou a 27,4%, e vem caindo deste então.

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