O Ibovespa fechou na mínima desde maio nesta segunda-feira (19), pressionado pelos temores globais de um recrudescimento da pandemia de covid-19 em meio à disseminação da variante delta do coronavírus e seus reflexos na retomada da economia mundial.

Um acordo da Opep+ para um aumento de produção reforçou o viés negativo nos mercados, no caso da bolsa paulista por meio das ações da Petrobras, em razão de preocupações quanto a um excesso de oferta da commodity.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,24%, a 124.394,57 pontos, menor patamar de fechamento desde 27 de maio. No pior momento, chegou a 123.317,27 pontos.

Já o dólar fechou em alta de 2,64%, cotado a R$ 5,251.

O que aconteceu com a Bolsa? Preocupações com a disseminação da variante delta do coronavírus em várias partes do mundo deram o tom de aversão a risco em todos os mercados. Na visão do economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, investidores começam a questionar a consistência da retomada da economia que supostamente vinha se operando. “Diante de uma agenda esvaziada para hoje, os ativos (brasileiros) ficam à mercê do ambiente global, dominado por forte aversão ao risco”, diz.

Outro fator que acrescenta volatilidade no cenário internacional é a decisão da Opep+ de aumentar a produção de petróleo, o que derruba os preços da commodity e provoca abalos em bolsas como a brasileira, na qual a Petrobras tem grande peso. As ações da estatal caíram 1,18% (ON) e 1,65% (PN).

A partir de agosto, o grupo aumentará sua produção em 400 mil barris por dia a cada mês até dezembro e chegará ao total de 2 milhões de barris. No ano que vem, a Opep+ concordou em reavaliar o corte de 5,8 milhões de barris de produção até o fim de 2022, que havia sido planejado no ano passado.

Há ainda a queda do minério de ferro e do aço, após o governo chinês reforçar que irá ficar de olho nas reservas das empresas para evitar novas altas nos preços. “Em resposta ao risco da flutuação dos preços do mercado, vamos conter de maneira resoluta a acumulação, a especulação maliciosa, e o aumento de preços por leilões”, afirmou o porta-voz do ministério, Huang Libi. No Ibovespa, isso afeta principalmente Vale (-1,09%) e CSN (-1,34%).

No radar doméstico, a temporada de balanços do segundo trimestre de empresas brasileiras começa nesta semana, com o calendário do Ibovespa sendo inaugurado no dia 23, com Hypera Pharma.

O período, na visão da XP Investimentos, foi marcado pela redução dos riscos fiscais, melhora dos dados de covid-19 com queda da taxa de ocupação dos hospitais e do número de óbitos, a vacinação em andamento e dados econômicos acima do esperado. Porém, nos últimos dias de junho, os mercados foram surpreendidos pela divulgação da segunda fase da reforma tributária que trouxe uma série de alterações que preocuparam os investidores.

Ainda assim, segundo a XP, a expectativa é de crescimento nos lucros das empresas do Ibovespa, em parte por causa da base de comparação, mas também melhora nas perspectivas econômicas e redução de riscos ao longo do segundo trimestre.

No pregão de hoje, destaque absoluto para Lojas Americanas PN e Americanas SA (AMER3, que começou a ser negociada hoje). Os dois papéis tiveram as maiores quedas do dia (de 8,78% e 8,94%, respectivamente). As novas ações AMER3 são resultado da combinação da antiga B2W com ativos da Lojas Americanas: suas 1.700 lojas físicas e a fatia da Ame Digital.

A união dos ativos físicos da Lojas Americanas com os ativos digitais da B2W foi aprovada em junho. Com isso, a antiga B2W, agora batizada Americanas SA, se tornou uma plataforma de varejo físico e digital. A Lojas Americanas continua existindo, mas a perda da participação de 62,5% na B2W provocou um esvaziamento do seu valor de mercado, o que se refletiu nos preços de hoje.

O que aconteceu com o dólar? O dólar disparou nesta segunda-feira, registrando a maior valorização diária em dez meses e fechando em R$ 5,25, nas máximas em mais de uma semana, com o mercado de câmbio sob intensa pressão vinda do exterior, onde moedas e outros ativos de risco foram alvejados em meio a temores econômicos decorrentes de novos saltos de casos de covid-19 em alguns países.

O dólar à vista fechou em alta de 2,64%, a R$ 5,241 na venda, maior patamar desde 8 de julho (R$ 5,2549).

O ganho percentual diário é o mais forte desde 18 de setembro de 2020 (+2,77%).

A moeda brasileira teve o pior desempenho entre as principais divisas globais.

Maiores altas:

Rumo (+2%)
Locaweb (+1,38%)
Banco Inter (+0,86%)

Maiores baixas:

Americanas SA (AMER3) (-8,94%)
Lojas Americanas PN (LAME4) (-8,78%)
Via Varejo (-3,77%)

Com a Reuters

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