O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, reagindo fortemente na última meia hora do pregão, após o presidente Jair Bolsonaro voltar atrás nos ataques ao STF e soltar uma nota oficial na qual afirmou respeito pelas instituições da República.

Antes da nota, a bolsa paulista ainda se mostrava fragilizada pelo agravamento da tensão institucional após declarações de Bolsonaro no Dia da Independência, bem como mais uma dado forte de inflação e a mobilização de caminhoneiros, que somavam-se a um rol de adversidades que têm minado a bolsa.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 1,72%, a 115.360 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima da sessão, recuou a 112.435,11 pontos.

O dólar viveu uma reviravolta parecida e fechou em queda de 1,85%, a R$ 5,227, após ter tocado os R$ 5,335.

O que aconteceu com a Bolsa? O pregão teve início tentando corrigir as perdas da véspera, quando o Ibovespa caiu quase 4%, refletindo preocupações com a pauta econômica do país, após declarações do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações de 7 de Setembro. Mas a melhora era frágil, sem alívio na tensão institucional no país.

Pesaram no cenário, também, as paralisações de caminhoneiros iniciadas na quarta-feira em vários Estados (o que resultou na divulgação de um áudio por Bolsonaro pedindo a desmobilização do movimento) e o pronunciamento do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, condenando o que chamou de “campanha insidiosa” contra o sistema eleitoral por parte de Bolsonaro.

A Bolsa vinha desenhando uma trajetória de queda, em continuidade ao pessimismo da véspera, que, às 16h25, depois de ter se reunido com o ex-presidente Michel Temer em Brasília, Bolsonaro soltou uma nota oficial em tom conciliatório.

No texto, ele disse que nunca teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes” e chegou a falar em qualidades do ministro Alexandre de Moraes, alvo principal do bolsonarismo.

O alívio dos mercados foi imediato e o Ibovespa deu uma estilingada para cima, chegando a subir mais de 2% nos 20 minutos seguintes.

Entre as ações que compõem a carteira do Ibovespa, apenas três fecharam no vermelho. Uma delas foi Vale ON, tendo de pano de fundo queda do contrato mais ativo de minério de ferro de Dalian, na China, enquanto outros papéis do setor de mineração e siderurgia engatavam uma recuperação.

O que aconteceu com o dólar? O dólar já abriu o dia em queda contra o real, mas, segundo Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, a queda da divisa nesta quinta-feira seria apenas uma pequena realização de lucros, com o clima nos mercados ainda extremamente pessimista.

Na quarta-feira, o dólar à vista saltou 2,84% no fechamento, para R$ 5,3236, maior valorização percentual diária desde 24 de junho de 2020 (+3,33%). Nagem declarou acreditar, inclusive, que o dólar buscaria a casa dos R$ 5,40 no curto prazo.

Mas o cenário teve uma guinada otimista na reta final do dia, após Bolsonaro divulgar a nota oficial que foi lida por investidores como uma tentativa de pacificação entre os Poderes, depois da escalada das tensões que minou os mercados na véspera.

O dólar à vista encerrou em baixa de 1,85%, a R$ 5,227, maior queda percentual diária desde 24 de agosto passado (-2,25%).

Pouco antes de o documento vir a público, a moeda estava cotada a R$ 5,3072, depois de ter chegado a R$ 5,335 na máxima do dia.

Maiores altas:

PetroRio (+8,32%)
Weg (+6,44%)
Eletrobras (+6,07%)

Maiores baixas:

Suzano Papel (-0,54%)
Bradespar (-0,38%)
Vale (-0,36%)

Com a Reuters

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