O Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, anunciou hoje (27) mais cedo a sua estratégia para ajudar na recuperação da economia no pós-pandemia. O plano é estimular a criação de empregos por meio dos juros baixos, mesmo que isso signifique ter uma inflação na casa dos 2%, um patamar maior que o atual e superior ao que o país está habituado.

Essa nova abordagem, apresentada em um discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, representa uma mudança na postura da autoridade financeira, que mostrava-se mais vigilante com os impactos do juros sobre o endividamento e os preços aos consumidores. Agora, o BC americano admite que compensará o efeitos da crise com uma inflação mais alta “por algum tempo”.

E o que isso tem a ver com o mercado? O comunicado entregou duas boas notícias para o mercado financeiro. A primeira foi a indicação de juros mais baixos somada a uma política expansionista, o que indica um nível maior de liquidez. Esse dinheiro chegará às mãos dos investidores, que tendem a buscar maior rentabilidade em ativos de risco, como nas bolsas de valores.

A segunda foi que o Fed está alinhado com a intenção do governo de estimular o consumo e financiar a sobrevivência das empresas, mesmo que isso custe um endividamento extra e uma desvalorização do dólar. Tudo isso deve acelerar os resultados dos negócios listados em bolsa.

Vale registrar, no entanto, que alguns investidores temem que essa “vista grossa” do Fed acabe corroborando um cenário de desmonte fiscal nos Estados Unidos. O receio é que o endividamento se torne insustentável e que seja somente o estopim para uma outra crise econômica de proporções ainda maiores.

Como isso impacta o Brasil? A desvalorização do dólar, que ainda não foi muito sentida pelo Brasil em razão de ruídos na política interna, tende a nos beneficiar em longo prazo. Investidores estrangeiros devem tirar recursos de aplicações em renda fixa e em investimentos atrelados ao dólar para buscar mais risco em mercados emergentes.

Além disso, o Ibovespa tem replicado o desempenho dos índices acionários dos Estados Unidos, o que indica que uma alta nesses mercados podem impulsionar as ações brasileiras. Logo após o discurso de Powell, as bolsas americanas ganharam força. Às 14h25, o S&P 500 subia 0,15%, o Dow Jones avançava 0,7% e, descolado do restante, a Nasdaq tinha queda de 0,4%.

O Ibovespa tem uma sessão morna, com números no zero a zero, em razão da corda bamba que vive o ministro da Economia, Paulo Guedes. O receio dos investidores é a saída do ministro, causada pelo desembarque de parte da base aliada do governo da agenda de reformas capitaneada por Guedes.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).