Abril saiu melhor que a encomenda para os títulos do Tesouro Direto. A intensa volatilidade que pairava no horizonte, e que fez 25 dos 27 papéis fecharem março no vermelho, se dissipou com a aprovação do Orçamento de 2021. Isso fez com que quase todos os papéis tivessem rentabilidade positiva no mês (veja quadro mais abaixo).

“O orçamento tinha um desfecho muito incerto, mas o resultado da aprovação acabou sendo melhor que o esperado”, conta Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos. “Isso trouxe um fechamento da curva de juros e um impacto positivo para os títulos.”

Isso não significa, porém, que a questão fiscal tenha deixado de preocupar. “Esse ainda é o principal assunto para se acompanhar, que vai andar junto com a covid-19. O avanço da vacinação, com a redução do número de óbitos e a reabertura da economia, faz com que a necessidade de ajuda do governo seja menor. Quanto mais tempo isso demorar, mais precisaremos de auxílio do governo para segurar a economia”, pondera a analista.

TítuloRentabilidade bruta (%) abril 2021Rentabilidade bruta (%) no ano
Tesouro Prefixado 20220,27-0,43
Tesouro Prefixado 20230,67-2,36
Tesouro Prefixado 20241,30-
Tesouro Prefixado 20251,49-6,25
Tesouro Prefixado 20261,57-7,86
T. Prefixado c/ Juros semestrais 20230,69-2,11
T. Prefixado c/ Juros semestrais 20251,37-5,83
T. Prefixado c/ Juros semestrais 20271,48-8,23
T. Prefixado c/ Juros semestrais 20291,45-10,38
T. Prefixado c/ Juros semestrais 20311,29-11,54
Tesouro Selic 20230,190,69
Tesouro Selic 2024-0,03-
Tesouro Selic 2025-0,180,03
Tesouro Selic 20270,02-
T. IGPM+ c/ juros semestrais 20311,778,71
Tesouro IPCA+ 20241,65-0,82
Tesouro IPCA+ 20261,33-2,66
Tesouro IPCA+ 20350,58-6,65
Tesouro IPCA+ 20450,39-13,56
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20241,51-0,50
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20261,26-1,97
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20300,55-5,28
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20350,65-5,02
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20400,27-5,66
T. IPCA+ c/ juros semestrais 20450,07-5,80
T. IPCA+ c/ juros semestrais 2050-0,32-7,59
T. IPCA+ c/ juros semestrais 2055-0,54-9,17

Existe o risco de que novos picos de volatilidade voltem a trazer prejuízo para os títulos nos próximos meses? Sim, principalmente nos títulos prefixados e nos atrelados à inflação. “O ideal é que o investidor procure casar os prazos deles com as suas necessidades de liquidez, justamente porque é impossível prever o comportamento do mercado até o vencimento”, diz Camilla. “Se já sei que vou precisar do dinheiro daqui a 5 anos, não tenho motivos para comprar um título de 30 anos.”

Para quem conhece bem o mercado e entende os riscos envolvidos, porém, ela reconhece que pode haver boas oportunidades entre esses títulos. De qualquer forma, é importante não alocar a reserva de emergência nesses papéis, já que um eventual resgate prematuro expõe o investidor ao risco de prejuízo.

“Quando o investidor olha a carteira e vê que aquele título se desvalorizou, ele só vai realizar a perda se vender o título. Por isso, para a reserva de liquidez, o ideal é alocar em Tesouro Selic e com o prazo mais curto possível. É o papel mais seguro e com menores variações”, recomenda Camille.

Como montar uma carteira adequada? Isso dependerá do seu perfil de risco. Para quem é superconservador, faz mais sentido alocar tudo em papéis pós-fixados. Eles vão andar junto com a Selic, que está em viés de alta, portanto os ganhos são bastante seguros.

Para quem tem perfil mais próximo do moderado, Camilla acha interessante colocar parte da carteira em títulos IPCA+, com prazos mais alongados. “Eles vão proteger o investidor dos efeitos da inflação ao longo do tempo”, explica. “E mesmo nos prefixados vemos boas perspectivas de ganho, apesar de a curva de juros ter cedido um pouco. Por isso, indicamos diversificar entre os três tipos, com um pouquinho de cada um na carteira.”

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