Com o mercado internacional ainda pressionado pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, a Bolsa brasileira fechou o pregão desta sexta-feira (dia 26) em queda de 1,98%, a 110.034 pontos.

Já o dólar teve alta de 1,67%, cotado a R$ 5,60.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa fechou esta sexta-feira (26) em queda de 1,98%, a 110.034 pontos, encerrando a semana sem novidades que amenizassem as preocupações fiscais e os ruídos políticos que dominaram os últimos pregões. O índice de referência do mercado acionário brasileiro acumula perda de 6,9% na semana, 4,2% no mês e 7,4% no ano.

Investidores também seguiram receosos com o movimento recente dos títulos do Tesouro norte-americano, após o rendimento dos Treasuries de 10 anos, referência para investimentos no mundo, bater máxima em um ano.

A equipe da XP Investimentos destacou em nota a clientes que as atenções continuam voltadas para o aumento dos juros dos Treasuries e também para os novos estímulos fiscais que estão para ser implementados em diversas economias.

No Brasil, a resistência a medidas de ajuste fiscal e à desvinculação de receitas da saúde e da educação adiou a leitura do parecer da PEC Emergencial para a próxima terça-feira, corroborando um cenário de dificuldades que o texto da PEC deve enfrentar no Parlamento.

Entre as ações listadas no Ibovespa, a maior alta foi de Minerva ON (+3,94%), tendo de pano de fundo proposta de pagamento complementar de dividendos, embora o lucro líquido no quarto trimestre tenha recuado 53,2% no comparativo anual.

Na outra ponta, quem mais perdeu foi o papel ON da BRF (-6,35%), mesmo após lucro de R$ 902 milhões no quarto trimestre, acima do esperado no mercado. Em teleconferência com analistas, executivos citaram expectativa de pressão de custos de grãos no primeiro semestre, que deve levar a alguma “adequação” de preços de produtos da companhia.

O que aconteceu com o dólar? A moeda norte-americana teve mais um salto nesta sexta-feira e fechou acima de R$ 5,60 pela primeira vez desde novembro. A forte pressão que levou o Banco Central, pelo segundo pregão seguido, a fazer intervenção dupla no mercado de câmbio, em meio a mais uma sessão negativa para moedas emergentes por receios sobre fuga de capital com a disparada de juros soberanos.

Novamente, a combinação entre firme demanda global por dólares e novos ruídos no mercado local ditou a dinâmica do câmbio no Brasil, num dia já tradicionalmente volátil devido à “briga” entre comprados e vendidos em dólar por ocasião da formação da Ptax de fim de mês.

O mercado já vinha de certo incômodo pela ressurgência de notícias na imprensa sobre suposta fragilidade do ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo. À tarde, notícia de O Globo de que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, havia colocado o cargo à disposição turbinou a busca por dólar. A informação veio uma semana depois de o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que substituiria o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, o que causou um rebuliço nos mercados que irradiou por toda esta semana.

Com o dólar escalando, o BC atuou duas vezes. Às 12h12, a moeda bateu uma máxima acima de R$ 5,57. Três minutos depois, o Banco Central veio ao mercado com anúncio de um leilão de venda de dólar à vista, no qual colocou US$ 740 milhões.

Mas a moeda recobrou forças, e um segundo leilão foi anunciado logo após o dólar saltar a R$ 5,61, depois de ter chegado a cair abaixo de R$ 5,50 durante a manhã. Essa operação chamou atenção de alguns operadores por ter ocorrido entre 16h11 e 16h16, durante o “call” de ajuste dos juros futuros.

No total, o BC colocou US$ 1,545 bilhão no mercado à vista, elevando a US$ 3,080 bilhões o montante despejado desde a véspera.

“O próximo passo é o BC subir juros”, disse um gestor, segundo o qual o segundo leilão foi anunciado para conter a pressão de alta vinda da notícia relacionada ao presidente do BB.

No fechamento, o dólar spot subiu 1,67% nesta sexta, a R$ 5,6017 na venda. Na máxima, bateu R$ 5,6100, alta de 1,82%.

O real tem o pior desempenho entre 33 pares do dólar no acumulado de 2021. E o cenário, na margem, parece pior, segundo pelo menos três bancos. O Itaú Unibanco elevou a estimativa para o dólar ao fim de 2021 de R$ 4,75 para R$ 5. “A incerteza fiscal deve permanecer elevada e o cenário global pode se tornar desafiador adiante para ativos de risco, impedindo uma apreciação mais intensa da moeda, como projetávamos”, disse o banco.

O Bradesco espera agora que o dólar feche este ano em R$ 5,30. Em janeiro, a expectativa era que a moeda ficasse em R$ 5 ao fim de dezembro. “A mudança nas condições financeiras globais e as incertezas fiscais domésticas podem limitar a apreciação (do real) sugerida pelos fundamentos das contas externas e ganhos de termos de troca”, disse o banco em nota.

E o Rabobank passou a ver dólar de R$ 5,15 ao fim deste ano, ante R$ 5,05 da projeção anterior. Mauricio Une e Gabriel Santos citaram que, apesar da valorização das matérias-primas, muitos exportadores têm mantido as receitas no exterior, enquanto investidores estrangeiros seguem afastados dos mercados domésticos.

Maiores altas:

Minerva ON, +3,94%
Eneva ON, +2,03%
Magazine Luiza, +1%

Maiores baixas:

BRF, -6,35%
Via Varejo, -5,38%
CSN, -4,96%

Com a Reuters

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).