A Getnet, empresa de maquininhas do Santander, estreou no Ibovespa na segunda-feira passada (18) e desde então suas ações tiveram dias de muita volatilidade. Em um dia seus papéis subiram dois dígitos, e no outro caíram na mesma proporção.

A alta da estreia foi reflexo de uma correção do valor em que as ações entraram no mercado, somada ao fato do investidor ver com bons olhos a listagem de mais uma empresa de tecnologia na B3. As units (GETT11) começaram a ser negociadas a R$ 6, atingiram R$ 11,30 e agora estão no patamar de R$ 5,65.

“Nos primeiros dias, o mercado entendeu que, ao se desvencilhar do banco Santander, a Getnet ficou bem mais livre para seguir um projeto de empresa de tecnologia”, afirma Vírgilio Lage, especialista da Valor Investimentos. “Hoje a companhia é focada nas maquininhas, mas a cisão abre a possibilidade para virar um banco digital, por exemplo. Basicamente, é como se a empresa tivesse saindo do concorrente”.

O investidor ficou mais mal humorado com o aumento do risco fiscal brasileiro e a alta dos juros tanto no Brasil como no exterior, o que prejudicou as ações da Getnet.

“Provavelmente é só um movimento de pura aversão ao risco. Acho muito difícil em alguns dias os bons fundamentos da Getnet terem mudado”, afirma João Augusto Salles, economista da Senso Corretora. Para o especialista, todo o mercado deve passar por um movimento de correção para cima na próxima semana.

As empresas de tecnologia precisam de empréstimos para manter o crescimento acelerado e, com os juros mais altos, o empréstimo fica mais caro, tirando um pouco da confiança do mercado sobre a capacidade das empresas do ramo continuarem crescendo se vão ter que pagar mais por crédito.

Na sexta-feira (22), a empresa listou as ações na bolsa norte-americana de Nasdaq, composta por grandes empresas de tecnologia, como o Facebook, Apple e Google. “O mercado americano tem a maior liquidez do mundo e entende-se que uma abertura de capital nos Estados Unidos é algo bem positivo para a empresa”, afirma Lage.

Qual o contexto?

A entrada da Getnet aconteceu depois da cisão com o Santander, o que é um pouco diferente de um IPO. “Na cisão, a empresa inicia a negociação valendo o equivalente ao seu valor contábil. Na prática, significa que ela entrou no mercado com um valor mais baixo do que o potencial da empresa, então o mercado faz uma correção. Temos que olhar para frente, quanto a Getnet está valendo diante do business que tem”, afirma Salles.

Essa correção também serve para que a Getnet chegue ao patamar próximo aos dos concorrentes que já operam na bolsa, como a Cielo e a Stone. “Era esperado que o valor do papel ia aumentar bastante. Nada mais é do que tirar uma distorção e se aproximar dos múltiplos dos concorrências e das empresas do setor financeiro”, afirma Salles.

Quais as ações existentes da Getnet? Os investidores podem optar por ações ordinárias (GETT3), preferenciais (GETT4) ou units (GETT11).

A GETT11 é o papel com maior volatilidade desde a estreia. Isso porque este tipo de ação é um combinado entre ordinárias, que dão direito a voto, ou seja, de tomada de decisão na empresa, e preferenciais, que dão direito a dividendos, sem voto. “Os investidores costumam preferir comprar pacote do que comprar só a ação de direito a voto ou só o direito a dividendos”, afirma Lage.

Vale a pena comprar as ações da Getnet?

Para Lage, é preciso ter cautela neste momento. “Para o investidor de curto prazo, eu aconselho a ficar de fora, porque o movimento interessante já passou. A pessoa entraria com delay, com risco de tomar prejuízo. Já para o investidor de longo prazo, que acredita nos fundamentos da empresa, vale a pena entrar sim”, afirma Lage.

Salles afirma que vale a pena comprar as units, já que o papel deve chegar a pelo menos o dobro do valor inicial. “De uma forma preliminar, é papel para valer R$ 12. A Getnet tem o Santander por trás e a empresa se beneficia do potencial de crescimento do banco e ganha mais credibilidade para marca”, afirma Salles.

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