A expressão “fechar com chave de ouro” pode servir bem para esta temporada de balanços do segundo trimestre. Nesta semana, a última do calendário regular de resultados, veremos os resultados de cinco empresas, mas os mais esperados são os de Cogna, C&A e Magazine Luiza — notadamente o último será o mais observado de todos.

A maior varejista brasileira vai divulgar seus resultados amanhã (dia 17) no final do dia. O clima é de alta expectativa, principalmente depois que o balanço da principal concorrente, a Via Varejo, mostrou números acima do esperado.

O que esperar de Magalu? No caso das donas do Ponto Frio e Casas Bahia, embora a receita das lojas físicas tenha despencado 60% durante a pandemia, o crescimento explosivo das vendas online conseguiu compensar as perdas e produziu um lucro de R$ 65 milhões, bem melhor que o registrado no ano anterior.

“O Magalu tem exposição maior ao e-commerce do que a Via Varejo, então é de se esperar que os resultados das vendas digitais venham calibrados e que sejam salvadores da pátria”, diz Lucas Carvalho, analista da corretora Toro Investimentos. Ele lembra que embora algumas lojas físicas da empresa já estejam reabrindo, o que vai ditar o jogo será o desempenho dos canais online.

Antes mesmo de a pandemia começar, as vendas do Magalu (incluindo as feitas no marketplace) representavam já mais da metade do total faturado pela varejista. Ainda que a outra metade tenha sido afetada de forma severa, os investimentos feitos para manter as entregas funcionando e a própria demanda maior dos consumidores que permaneceram em casa devem turbinar os resultados da empresa, talvez até de forma permanente.

“Acreditamos que esse efeito não é algo que vai passar ao fim da quarentena. O modo de consumir pode ter tido uma mudança permanente, e essa tende a ser uma herança positiva de tudo que estamos vivendo”, diz Carvalho, da Toro.

As ações do Magalu devem subir? Embora as expectativas estejam altas, é possível que não haja uma aceleração na cotação das ações da varejista na bolsa de valores. Isso porque o efeito positivo do e-commerce já vem sido precificado pelos investidores nos últimos meses. No ano, os papéis do Magalu acumulam alta de 71%, e a maioria dessa alta se deu após março, quando a bolsa despencou.

“Acreditamos que o potencial de crescimento é limitado, pois a ação já avançou muito desde o início da pandemia. No entanto, se o balanço superar expectativas pode haver um apetite maior pelos papéis”, diz o analista da Toro. No caso da Via Varejo, as ações chegaram a disparar 7% após a divulgação dos números do segundo trimestre.

Quais outros balanços estão por vir? Outros resultados a serem observados na semana são os da varejista de moda C&A e do grupo educacional Cogna. Para essas duas, as expectativas não são muito animadoras. Mais expostas ao fechamento de espaços físicos e à inadimplência dos clientes, essas empresas devem ter um balanço pior que o do primeiro trimestre.

“A C&A não tem uma exposição grande ao e-commerce, e com o fechamento dos shoppings as vendas físicas foram bastante afetadas”, pontua Carvalho. Ele diz que a compra de itens de vestuário deve diminuir, mesmo com as lojas reabrindo, em razão da preferência dos brasileiros por itens essenciais durante a crise.

Outro ponto sensível é o aumento da inadimplência na financeira da C&A. Embora a área de cartões da varejista seja administrada pelo Bradesco, um aumento no número de calotes também deve afetar os resultados do segundo trimestre.

A inadimplência, aliás, também é uma grande preocupação para a Cogna, a antiga Kroton. O grupo, dono de universidades e colégios, foi afetado pela interrupção das aulas presenciais, e deve sofrer com o aumento dos calotes nas mensalidades e pelos cancelamentos de matrícula.

“A questão é que os números da Cogna já vinham sendo pressionados desde o primeiro trimestre, quando houve uma queda de 80% no lucro. É de se esperar um impacto ainda maior no segundo trimestre, e os investidores ainda devem ficar de olho nos números de inadimplência e de evasão dos alunos”, diz o analista da Toro.

No final do mês passado, o grupo levantou US$ 400 milhões no mercado americano com a abertura de capital (IPO) da Vasta, uma das marcas subsidiárias. Apesar do ânimo trazido pela operação recente, as ações da Cogna ainda registram baixa de 37% desde o início do ano. Os desafios pela frente são ainda maiores, à medida que não se sabe quando as aulas voltarão e como ficará o ensino superior diante da crise.

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