Outubro vinha suave para o Ibovespa, até a segunda onda de coronavírus na Europa e nos Estados Unidos assustar os investidores e derrubar os mercados internacionais e também o brasileiro.

No segundo dia consecutivo de forte retração, a bolsa encerrou esta sexta-feira (dia 30) em queda de 2,72%, a 93.952 pontos, levando o mês a fechar em queda de 0,7%.

Após intervenção do Banco Central, o dólar encerrou o dia em queda de 0,43%, a R$ 5,74. No mês, a moeda americana ganhou 2,31%.

O que aconteceu com a bolsa e o dólar neste mês? Nas três primeiras semanas, a bolsa e o dólar foram pautados pela ansiedade em torno das eleições presidenciais nos Estados Unidos, pelo pacote de auxílio à economia americana em negociação entre republicanos e democratas e pela incerteza fiscal no Brasil.

O mercado também operou de olho nos resultados corporativos do terceiro trimestre, com os grandes bancos puxando a bolsa com a expectativa de resultados melhores do que os do período entre abril e junho.

Nos últimos, entretanto, acabou predominando o pessimismo com a segunda onda de coronavírus no mundo, com o temor de que esse crescimento de casos possa resultar em novas medidas de confinamento, complicando, assim, a recuperação das economias.

“A bolsa neste mês estava em forte alta. Sem dúvida, os principais responsáveis pela correção que se seguiu foram o avanço do coronavírus na Europa e o risco da eleição americana terminar na justiça”, apontou Flavio Aragão, sócio da gestora de recursos 051 Capital.

A judicialização da disputa entre Donald Trump e Joe Biden é uma possibilidade, já que os dois candidatos não possuem tanta diferença nas intenções de voto e já declararam a intenção de contestar a apuração, o que atrasaria a definição do novo presidente dos Estados Unidos.

Apenas na última quarta (dia 28), o Ibovespa tombou mais de 4%, na maior queda diária percentual desde abril.

“O problema fiscal brasileiro e a proximidade das eleições americanas já estavam aí o mês inteiro, e a bolsa estava subindo pouco tempo atrás”, aponta Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. “O que influenciou na queda mesmo foi a alta de casos de coronavírus e possibilidade de mais lockdowns na Europa e nos EUA. Em um ambiente já incerto, esse foi o gatilho final para a queda”.

O comportamento dos preços no Brasil também voltou ao radar em outubro. O Banco Central reconheceu uma pressão inflacionária mais forte no curto prazo, mas manteve sua mensagem de um eventual novo corte nos juros se necessário.

Após setembro fechar com o maior volume mensal de IPOs (aberturas de capital) no mercado brasileiro desde 2010, outubro mostrou algumas desistências, em meio ao ambiente mais conturbado nos mercados. Ainda assim, mais 15 companhias pediram registro neste mês para abrir capital, totalizando 44 empresas na fila.

E o que aconteceu com a bolsa e o dólar hoje? Nesta sexta, os mercados tiveram outro dia de mau humor. Além da segunda onda de Covid-19, as ações das grandes empresas de tecnologia, como Apple, Alphabet (dona do Goole) e Amazon, caíram a despeito dos bons resultados trimestrais apresentados ontem.

Além disso, o Ministério da Economia piorou sua projeção para a dívida bruta em 2020 a 96% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 93,9% anteriormente. A pasta indicou que, em caso de choque negativo, o indicador alcançará 125,2% do PIB em 2029.

A moeda americana, que pela manhã chegou a atingir R$ 5,80, recuou em relação ao real após intervenção do Banco Central, que anunciou leilão de US$ 787 milhões no mercado a vista.

“A intervenção do Banco Central é uma correção de disfuncionalidades, e correta nesta situação”, opinou Alejandro Ortiz, economista da Guide.

Maiores altas:

Telefonica Brasil (+ 0,93%)

IRB (+ 0,49%)

Rumo (+ 0,05%)

Maiores baixas:

B2W (- 8,97%)

Cia Hering (- 6,80%)

Via Varejo (- 5,97%)

(Com a Reuters)

 

 

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