A possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro não vetar as emendas ao Orçamento de 2021 e a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de determinar a abertura de uma CPI da Covid influenciaram no pessimismo do mercado nesta sexta-feira (9).

A Bolsa fechou o pregão em queda de 0,54%, a 117.669 pontos, e o dólar subiu 1,81%, a R$ 5,67.

O que aconteceu com a Bolsa e o dólar? O receio do cenário fiscal aumentou hoje após informação de que Câmara e Senado publicaram pareceres de suas consultorias técnicas defendendo a aprovação sem vetos do Orçamento de 2021 pelo presidente Jair Bolsonaro. No texto, os consultores do Congresso afirmam que sancionar o texto sem vetos não implicaria em crime de responsabilidade, o que em última análise poderia levar ao impeachtment do presidente.

A equipe econômica, por seu lado, também estaria se cercando de pareceres jurídicos a favor dos vetos, já que as despesas previstas no projeto de lei ultrapassam o teto de gastos. Em resumo, a expectativa passou a ser de uma disputa de forças no curto prazo, o que trouxe pessimismo ao mercado.

A decisão de Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que determinou que o Senado abra uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a condução do governo federal na pandemia de coronavírus, também adiciona mais incerteza ao cenário, o que foi outro fator de peso na desvalorização do real.

Para o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, o lado positivo do mercado hoje foi o bom humor das bolsas internacionais, que renovaram recordes por causa de um cenário positivo para a macroeconomia. “Isso acaba favorecendo especialmente o setor de exportação e commodities”, afirmou.

As ações de siderúrgicas, como CSN e Usiminas, estiveram entre as maiores altas nesta sexta. Na outra ponta, houve uma correção de preços de varejistas, que ontem subiram com força e registraram queda hoje.

Os analistas acompanharam ainda com atenção a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março, que teve alta de 0,93%. “O aumento eleva a expectativa de aumento da Selic pelo Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central], e caso o Orçamento ´inexequível´ deste ano não seja resolvido, deve trazer ainda mais pressão de alta na curva de juros”, avalia Ribeiro.

Maiores altas:

CSN (+ 4,94%)
Usiminas (+ 3,50%)
Iguatemi (+ 3,06%)

Maiores baixas:

Via Varejo (- 3,56%)
Pão de Açúcar (- 3,42%)
Atacadão (- 2,71%)

(Com a Reuters)

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