Em um movimento que já tinha começado em novembro do ano passado mas que se intensificou com a confirmação de que os Democratas dominarão a presidência e as duas casas legislativas nos EUA, as ações relacionadas a commodities mantiveram seu status de queridinhas absolutas da Bolsa neste início de 2021.

Sobram razões para isso, em um cenário raras vezes visto na história: a recuperação simultânea de países no mundo todo, estimulada pela vacinação em massa contra a covid-19, a expectativa de que o governo de Joe Biden, presidente americano eleito, não poupará esforços para estimular a atividade econômica, e o dólar alto, que torna o produto brasileiro mais barato e estimula exportações.

Não é por acaso que as ações da Vale já subiram 10% em apenas oito pregões de 2021. A Petrobras, que também surfa na decisão da Opep + (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) de restringir a produção a partir de fevereiro, se valorizou em mais de 3% no período.

“O cenário hoje é das duas turbinas da economia global, Estados Unidos e China, crescendo forte por conta de taxas de juros muito baixas”, explica João Beck, economista e sócio da BRA Investimentos. “A forte recuperação dos preços das commodities faz o termo de troca [relação entre valor das importações e das exportações] para o melhor patamar em décadas”, completa.

O fato de a moeda americana ainda estar com uma valorização de 30% na comparação com o início de 2020, no pré-pandemia, também ajuda os grandes exportadores de commodities. “É um cenário positivo para as commodities e também para a bolsa brasileira, que tem papeis que são bastante influenciados nesse novo cenário”, afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Infraestrutura

Uma reportagem da agência de notícias Bloomberg mostrou que os bancos centrais do mundo todo estão determinados a manter suas taxas de juros em níveis baixos neste ano, mesmo com a expectativa de aceleração da economia global. De acordo com a agência, a expectativa é que somente Argentina e a Nigéria elevem suas taxas de juros neste ano. Nesse panorama, a expectativa é que cresçam os investimentos em infraestrutura, como estradas, aeroportos, portos e ferrovias.

“A onda azul democrata nos Estados Unidos intensifica a parte de estímulos fiscais em gastos com infraestrutura, e isso é muito positivo para as commodities“, aponta Leonardo Morales, gestor do ASA Investments. “Quando falamos de retomada econômica, o que as pessoas fazem? Investimentos em infraestrutura, volta da mobilidade das pessoas via transportes, tudo isso depende de commodities. Não é a toa que a gente está vendo esse boom no minério de ferro”, reforça Esteter, da Guide.

Bancos e indústria também se beneficiam

Outro setor que vem sentindo os efeitos do otimismo global é o financeiro. Os bancos, que no pico da primeira onda estiveram entre os papeis afetados pela crise, vêm se recuperando com força de novembro para cá.

“O setor financeiro está se beneficiando também da abertura dos juros futuros, que são decorrência de maiores estímulos fiscais”, afirma Morales, do ASA. Ou seja, a expectativa de alta da inflação no futuro já faz com que o mercado precifique uma alta nas taxas de juros mais para a frente.

Para Maurício Battaglia, chefe de operações estruturadas da Órama Investimentos, se este ano realmente for positivo como o projetado, as ações de diferentes segmentos serão beneficiadas. “Se tivermos estímulos e vacinas como o mercado prevê, setores ligados a varejo, bancos, mineração, siderurgia e tecnologia deverão continuar indo bem. Há ainda os setores de turismo, aviação e shoppings, que devem melhorar de acordo com a velocidade da contenção do vírus e da necessidade de lockdowns e isolamento social”.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).