A despeito da desvalorização recente, o dólar encerrou o ano com uma alta de 29%, deixando o real na desconfortável posição de apresentar o segundo pior desempenho do mundo entre os países emergentes e desenvolvidos em 2020, atrás apenas do peso argentino.

Nesta quarta-feira (dia 30), último pregão do ano, fechou quase estável, com alta de 0,1%, a R$ 4,18.

A moeda americana, que chegou a alcançar R$ 5,90 em maio deste ano, passou a recuar de forma mais consistente de novembro para cá, após a definição das eleições presidenciais nos Estados Unidos e da divulgação de uma elevada eficácia de algumas vacinas contra o coronavírus.

Além do avanço da infecção e seus efeitos sobre as economias de todo o mundo, que no pico da crise provocaram uma corrida pelo dólar, as incertezas fiscais no Brasil e as dúvidas do mercado sobre a manutenção do teto de gastos (mecanismo que limita as despesas do governo) penalizaram a divisa brasileira.

Esse último fator, na avaliação de especialistas, será crucial para definir o comportamento do real no ano que vem, ao lado do andamento do processo de vacinação pelo mundo e da retomada da atividade global. O controle de gastos e a retomada da agenda de reformas estruturais brasileira são vistos como essenciais para fornecer algum apoio aos mercados domésticos.

Tendência é dólar ficar abaixo de R$ 5

Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, há uma série de fatores que jogam contra um repique no preço do dólar: o aumento na taxa de juros (a maior parte dos analistas já aposta em um Selic acima de 3% no ano que vem), o processo de vacinação em massa para conter a covid-19 e a retomada da economia.

“Se o governo seguir com as reformas e conseguir emplacar um candidato próprio da eleição para a presidência da Câmara, que é o que estão correndo para fazer, vai ser positivo para o real”, avalia. “Ano que vem não tem como fugir: vai ter alta de juros, e isso pressiona o dólar para baixo. Tem expectativa de tocarem as reformas, e isso pressiona o dólar para baixo, vacinação, recuperação, tudo isso faz com que o real tenda a se valorizar”.

Um forte “gás no consumo reprimido pelos meses de pandemia também pode auxiliar esse movimento. “”Se o Brasil conseguir fazer seu papel em casa de manter o fiscal em ordem, pode aproveitar essa melhora global”, disse Thomás Gibertoni.

(Com a Reuters)

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