O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (12), com preocupações sobre o comportamento da inflação norte-americana e seus reflexos nos próximos passos do Federal Reserve. O índice de referência da B3 caiu 2,65%, aos 119.710 pontos.

Já o dólar subiu 1,55% e fechou cotado a R$ 5,3053.

O que aconteceu com a Bolsa? O tombo de hoje foi maior queda percentual diária do Ibovespa desde 8 de março, quando ele perdeu quase 4% após o ministro do STF Edson Fachin anular todas as condenações impostas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da operação Lava Jato. Ontem, ele encostou nos 123 mil pontos, renovando máxima de fechamento desde janeiro, mês no qual atingiu marcas históricas.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 2,14% e o Nasdaq Composite perdeu 2,67%, após uma alta acima do esperado nos preços ao consumidor norte-americano alimentar receios de retirada de estímulos monetários antes do que o previsto.

O índice de preços ao consumidor nos EUA subiu 0,8% em abril, maior ganho desde junho de 2009, e no acumulado de 12 meses subiu 4,2%, alta mais elevada desde setembro de 2008. O núcleo do índice, que exclui itens voláteis, teve forte acréscimo de 0,9% no mês, maior ganho desde abril de 1982, acumulando elevação de 3,0% em 12 meses, bem acima da meta do Fed, de 2%..

Na visão do presidente da plataforma de análises independentes Ohmresearch, Roberto Attuch, o grande teste dos mercados é a inflação norte-americana e o debate que deve ocorrer é se reflete fatores temporários ou mais permanentes.

Ele destacou, contudo, que para se ter um veredito final sobre a inflação é essencial esperar os números de junho e julho, quando deve ocorrer uma normalização do efeito calendário e várias cadeias de produção estarão restabelecidas.

Além disso, acrescentou, o Fed, banco central norte-americano, já deixou bem claro que a inflação vai ser mais alta que o esperado durante um tempo.

BR Distribuidora ON avançou 5,06%, entre as raras altas do pregão, após resultado do primeiro trimestre, quando a distribuidora de combustíveis mais do que dobrou o lucro, e acordo de renegociação de dívida com a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).

Na outra ponta, as units do Banco Inter caíram 7,76%, mesmo após lucro de R$ 20,8 milhões no primeiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 8,4 milhões um ano antes. Após bater máximas históricas no começo do mês, as units do banco digital acumulam queda de quase 16% em maio.

Marfrig recuou 7,72%, apesar de divulgar na véspera seu melhor primeiro trimestre da história com impulso da operação nos EUA. O Ebitda ajustado somou R$ 1,7 bilhão, alta de quase 39,7% ano a ano, enquanto a receita líquida cresceu 27,7%.

Nem a Petrobras resistiu à deterioração generalizada no pregão, apesar da alta dos preços do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais perderam 1,47%. Agentes financeiros também estão na expectativa do resultado trimestral da petrolífera, aguardado para a quinta-feira, após o fechamento do mercado.

O que aconteceu com o dólar? O dólar voltou a ficar acima de R$ 5,30 e chegou aos maiores níveis em uma semana, com as operações locais replicando uma onda de compra de dólares no exterior após dados de inflação bem acima do esperado nos Estados Unidos turbinarem apostas de redução de estímulos por lá.

O dólar à vista subiu 1,55%, a R$ 5,3053 na venda. É a maior valorização percentual diária desde 30 de abril (+1,81%) e o mais alto nível de encerramento desde 5 de maio (R$ 5,3652).

A moeda começou o dia em torno da estabilidade, perto de R$ 5,23, mas disparou para cerca de R$ 5,27 logo depois das 9h30, quando os EUA reportaram a maior alta mensal do índice de preços ao consumidor em quase 12 anos.

A divisa norte-americana até se afastou das máximas posteriormente, mas tornou a ganhar fôlego no fim da manhã e manteve rota ascendente ao longo de toda a tarde, batendo a máxima do dia de R$ 5,3088 (+1,62%).

Durante todo o dia o movimento do dólar aqui replicou as oscilações da moeda no exterior, que no fim do dia saltava 0,6% contra uma cesta de rivais, maior ganho desde o fim de abril. A divisa ganhava entre 0,7% e 1,6% ante alguns dos principais pares do real.

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, a redução de estímulos nos EUA vai ocorrer a partir de 2022, o que contribuirá para a alta do dólar de R$ 5,30 ao fim de 2021 para R$ 5,50 no término do ano seguinte. Em 2021, o real ainda deve se beneficiar da alta das commodities e dos aumentos de juros pelo Banco Central.

“As commodities ajudam um pouco (o real), mas nem tanto. A política monetária ajuda, mas nem tanto. E o risco fiscal segue elevado”, resumiu o ex-diretor do Banco Central.

A escalada da moeda nesta quarta ocorreu ainda em meio à elevada temperatura política em Brasília, com o relator da CPI da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), pedindo a prisão do ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República Fabio Wajngarten por supostamente mentir à comissão. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), contudo, rejeitou o pedido.

Maiores altas:

BR Distribuidora (+5,06%)
IRB Brasil (+1,44%)
Ultrapar (+0,51%)

Maiores baixas:

Banco Inter (-7,87%)
Marfrig (-7,72%)
Localiza (-7,22%)

Com a Reuters

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