Depois de cair 6,74% em outubro, o Ibovespa fechou novembro com queda de 1,53%, principalmente pelo aumento da aversão ao risco global.

Lá fora, a cautela ditou o tom do mercado com o surgimento da variante ômicron da covid, acendendo a dúvida sobre a eficácia das vacinas já existentes, combinado com o receio de estagflação, fenômeno que acontece quando o país não cresce e registra níveis altos de inflação. Ontem, o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, afirmou que já enxerga a inflação como mais duradoura do que o esperado.

“Na prática, os governos preferem ser cautelosos na hora de tomar decisões sobre a pandemia. Já se fala em lockdown em países da Europa, o que vai impactar as economias. Em novembro, a aversão ao risco aumentou pela preocupação com o crescimento econômico dos países, a inflação mais duradoura e a questão da nova cepa da covid”, afirma André Moura, sócio da Nau Capital.

Aqui no Brasil, o noticiário local também influenciou a bolsa de valores, com a novela da PEC dos precatórios, que vai levantar recursos para bancar o Auxílio Brasil, e a preocupação com a questão fiscal.

De acordo com um levantamento feito pela Economatica, as empresas que mais valorizaram no Ibovespa em novembro foram TIM, Locamerica e Dexco. Na outra ponta, as maiores quedas ficaram com Natura, Locaweb e Magazine Luiza.

Maiores altas:

  1. TIM (TIMS3): +22,99%;
  2. Locamerica (LCAM3): +17,44%;
  3. Dexco (DXCO3): +16,25%;
  4. Energisa (ENGI11): +14,82%;
  5. Suzano (SUZB3): +14,08%;
  6. Banco do Brasil (BBAS3): +13,26%;
  7. Lojas Americanas (LAME4): +13,25%;
  8. Localiza (RENT3): +12,83%;
  9. Ultrapar (UGPA3): +10,57%;
  10. Telefônica Brasil (VIVT3): +10,48%.

A TIM foi o grande destaque do Ibovespa em novembro. A alta foi influenciada pela proposta da gestora de fundos norte-americana KKR para comprar a Telecom Italia, controladora da TIM no Brasil.

Segundo a Nau Capital, o mercado também respondeu positivamente às notícias relacionadas ao acordo de colaboração firmado entre a TIM Brasil e a empresa americana Qualcomm para implementação do 5G no Brasil. As ações da Telefônica também se beneficiaram com o leilão do 5G e aparecem na lista das 10 maiores altas do mês.

Dexco e Suzano são as representantes do setor de celulose (uma commoditie), que se deram bem em novembro. Para a Nau Capital, as duas empresas surpreenderam com resultados positivos acima do esperado. “O bom desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo preço elevado do dólar, já que a maior parte da receita vem do exterior, somada à alta da celulose, que levou a commodity a bater os US$ 15,51 por tonelada”, afirma.

No setor de aluguéis de carros, Locamerica e Localiza foram os destaques positivos. “A Locamerica está com a possibilidade de ter uma fusão com a Localiza, o que animou os investidores. Além disso, as duas empresas vêm apresentando bons resultados, depois de terem sofrido nos meses anteriores”, afirma João Abdouni, especialista em investimentos da Inversa Publicações.

Como o setor de carros está sofrendo com a falta de semicondutores, essas empresas conseguem vender seus carros por preços mais altos, trazendo mais lucro.

Apesar do varejo estar sofrendo com a alta de juros e da inflação, as Lojas Americanas podem comemorar o desempenho das ações em novembro. Isso porque os investidores se animaram com a reestruturação societária da empresa, a intenção de listar as ações na bolsa de Nasdaq, nos Estados Unidos, e o resultado do terceiro trimestre melhor do que o da concorrência.

Maiores quedas:

  1. Grupo Natura (NTCO3): -31,39%;
  2. Locaweb (LWSA3): -27,92%;
  3. Magazine Luiza (MGLU3): -27,84%;
  4. Assaí (ASAI3) -16,61%;
  5. Banco Pan (BPAN4): -15,27%;
  6. BRF (BRFS3): -14,98%;
  7. Rede D’Or (RDOR3): -14,97%;
  8. CVC Brasil (CVCB3): -14,72%;
  9. Petrorio (PRIO3): -13,55%;
  10. Weg (WEGE3): -12,89%.

As ações da Natura, Magazine Luiza e Assaí estão no topo da lista de maiores quedas. As empresas tinham boas projeções futuras já embutidas nos preços das ações e, com a mudança de cenário, acabaram sendo mais penalizadas, afirma relatório da Nau Capital.

No caso da Natura, além do cenário macro desafiador ao varejo, os dados da empresa decepcionaram os investidores. “O mercado reagiu mal ao balanço da gigante brasileira de itens de beleza e cosméticos, que viu o lucro cair 28,5% no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado”, afirma a Nau Capital. O balanço do Magalu também decepcionou.

Em momentos de juros e inflação mais altos, os papéis de varejistas tendem a sofrer mais na bolsa. Isso porque, com o aumento dos juros, o nível de atividade econômica diminui.

E os juros também complicaram a situação dos papéis da Locaweb, segunda maior queda do mês. Por ser uma empresa de tecnologia, os investidores pagam múltiplos altos pelos papéis. Além disso, são empresas de crescimento rápido, que precisam de crédito para expandirem. Com o aumento da Selic, os empréstimos se tornam mais caros.

Em relatório, a Nau Capital diz que com os juros mais altos, o investidor perde a previsibilidade do futuro e sobre o lucro das companhias. “O investidor passa a trabalhar só com o curto prazo, então o mercado vende as ações para tentar se recompor em um intervalo menor”, afirma texto.

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