O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, perdendo força durante a semana, em meio à manutenção de incertezas no cenário brasileiro, mas também minado pelo declínio do minério de ferro na China, que fez ações da Vale caírem 4,15%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,12%, a 113.777,57 pontos, de acordo com dados preliminares, passando a mostrar performance negativa no acumulado da semana. Até a véspera, subia 0,68%.

Já o dólar fechou em alta de 0,54%, cotado a R$ 5,2654.

O que aconteceu com a Bolsa? O Ibovespa engatou nesta quinta-feira a terceira queda seguida, trabalhando abaixo dos 114 mil pontos pela primeira vez na semana, em meio a um exterior desfavorável e manutenção de incertezas domésticas.

De acordo com a equipe da Planner, investidores continuam atentos às notícias da China, que segue lidando com problemas internos na sua economia e na política, com regulações impostas às empresas pelo governo.

Tais eventos têm pesado nos preços do minério de ferro, com os contratos futuros de referência na bolsa de Dalian fechando em baixa de 3,9%, e afetado as ações da Vale, que hoje caíram 4,15%, levando consigo o Ibovespa. No setor, CSN derreteu mais de 6%, na maior queda do pregão, enquanto Usiminas recuou 5,41%.

No Brasil, agentes financeiros veem a falta de avanço efetivo nas negociações relacionadas à questão dos precatórios como um componente que infla ainda mais as incertezas sobre a trajetória das contas públicas para o próximo ano, em meio a perspectivas de crescimento menor, juros e inflação em alta.

Em comentários a clientes, a Guide Investimentos também citou impasse em torno do financiamento dos precatórios enquanto o governo federal busca uma fonte de financiamento para o seu “Auxílio Brasil”, nova versão do programa Bolsa Família.

O que aconteceu com o dólar? O dólar devolveu a queda da véspera e fechou em alta contra o real nesta quinta-feira, impulsionado sobretudo pelo rali global da moeda norte-americana, após dados melhores nos EUA aumentarem dúvidas sobre o momento de redução de estímulos pelo banco central norte-americano.

O dólar à vista subiu 0,54% e fechou cotado a R$ 5,2654, depois de ter passado dos R$ 5,28 à tarde.

O foco dos mercados recaiu sobre a política monetária tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos com a aproximação das reuniões de seus respectivos bancos centrais na semana que vem. Os encontros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve acontecerão ambos nos dias 21 e 22 de setembro. Os investidores globais ficarão atentos a qualquer sinalização do Fed sobre o futuro de seu programa de compra de ativos, e, por aqui, o foco está no ritmo de elevação da taxa Selic.

Para Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba, o “Fed ainda está bem cauteloso em relação a redução de estímulos”, o que torna baixa a probabilidade de anúncio iminente de corte em suas compras de ativos. Caso essa expectativa de manutenção da política monetária se consolide, explicou, os operadores podem elevar a busca por ativos de países emergentes.

Dados divulgados mais cedo mostraram que as vendas no varejo dos Estados Unidos cresceram inesperadamente em agosto, o que pode reduzir as expectativas de uma desaceleração acentuada no crescimento econômico no terceiro trimestre.

No Brasil, depois que sinais de disparada da inflação doméstica levaram alguns investidores a precificarem elevação de até 1,5 ponto percentual da taxa Selic na reunião do Copom de setembro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, esfriou as expectativas ao dizer na terça-feira que não vai alterar seu plano de voo a cada número de alta frequência que sair.

Isso “não significa que a taxa não vai continuar subindo”, explicou Schroeder, mas “Campos Neto retificou que o BC não vai adotar altas mais acentuadas do que de 1 ponto percentual na Selic”, mesmo ritmo adotado no último encontro do Copom.

Juros mais altos tendem a elevar a rentabilidade do mercado de renda fixa doméstico, intensificando o ingresso de recursos estrangeiros no Brasil e, consequentemente, beneficiando o real.

Maiores altas:

Cielo (+5,44%)
Hering (+4,33%)
Assaí (+3,07%)

Maiores baixas:

CSN (-6,18%)
Suzano (-5,75%)
Usiminas (-5,41%)

Com a Reuters

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