Em dia de cenário externo favorável, e puxada pelo desempenho da Petrobras e das varejistas, a Bolsa encerrou o pregão em alta de 1,17%, a 124.031 pontos, o maior patamar desde 14 de janeiro. O Banco Inter, que anunciou acordo com a StoneCo, disparou 24,83%.

O dólar perdeu força no mundo todo nesta segunda (dia 24), e fechou o dia em queda de 0,54% contra o real, a R$ 5,3266.

O que aconteceu com a Bolsa? Em meio a um cenário externo positivo, o Ibovespa avançou nesta segunda-feira, com Banco Inter disparando quase 25% e capitaneando as altas após anúncios de acordo com a StoneCo. (que subiu 0,16% em Nova York) e sobre reorganização societária.

As varejistas também se destacaram nesta sessão, com a Magazine Luiza entre as maiores altas – o BTG Pactual reiterou recomendação de compra para as ações e elevou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26. Os analistas disseram que embora o curto prazo pareça menos otimista dada a desaceleração no canal online, “o legado de consumidores migrando para o digital e os recentes investimentos para aumentar o engajamento em sua plataforma devem levar para uma expansão mais forte do GMV e melhoria da lucratividade nos próximos anos”.

Na outra ponta, a BRF foi um dos destaques negativos após ter subido 29% na semana passada – quando a Marfrig confirmou a compra de participação de 24% na companhia. Hoje, BRF recuou 2,67% e Marfrig, 0,33%. Uma fonte ouvida pela Reuters revelou que a Marfrig tentou adquirir o controle da rival Minerva antes de anunciar a operação com as ações da BRF.

No exterior, os preços do minério de ferro na China despencaram, mas as cotações do petróleo avançaram, beneficiando a Petrobras (+1,70%).

De acordo com a economista-chefe da plataforma de investimentos Consulenza, de Helena Veronese, a semana é de expectativas, com dados de gastos ao consumidor e falas de membros do Federal Reserve (banco central dos EUA) no radar, enquanto se aguarda o começo do processo de normalização das condições monetárias nos EUA.

Em Nova York, o S&P 500 encerrou em alta de 0,99%, em sessão positiva para o setor de tecnologia, apoiado na queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.

“A expectativa de recuperação econômica junto ao avanço da vacinação nos EUA são contrapontos em relação à preocupação de uma terceira onda de covid-19 no Brasil e em outros países em desenvolvimento”, avaliou o líder de Operações de Renda Variável da Bluetrade, Patrick Johnston de Oliveira.

O que aconteceu com o dólar? A moeda americana perdeu força perante várias outras divisas, inclusive o real. Operadores de todo o mundo trabalhavam em modo de espera no início de uma semana que contará com dados de inflação dos Estados Unidos.

É “uma semana com muitos dados”, destacaram em nota analistas da Genial investimentos. “Mas o mais importante de todos será a leitura da inflação e consumo pessoal nos Estados Unidos. Este dado será fundamental para dar a direção da política monetária nos Estados Unidos nos próximos meses.”

O alívio reflete um ajuste depois de uma forte semana para o dólar, que encerrou a sexta-feira no maior patamar em duas semanas e com a maior valorização semanal em quase dois meses.

O dólar à vista caiu 0,54%, a R$ 5,3266 na venda, depois de variar entre R$ 5,3761 (+0,39%) e R$ 5,3099 (-0,85%).

No Brasil, investidores também aguardam o IPCA-15 de maio, a ser divulgado na terça-feira, num contexto de debate sobre os rumos da política monetária doméstica.

O BNP Paribas vê inflação de 6,0% em 2021, muito acima da meta de ​3,75% para este ano. Com aumento maior dos preços, o banco francês espera que a taxa Selic seja elevada para 6,50% ao fim do ano, o que respalda a expectativa da instituição de que o dólar fechará o ano em R$ 5.

As análises do banco indicam que a relação entre a performance do real e as taxas de “carry” (taxa de retorno) não é linear, mas exponencial. Isso aponta que, conforme a Selic se distancia da mínima histórica de 2%, o impacto sobre a moeda ficará maior.

O BNP recentemente encerrou posição tática comprada em dólar contra o real, depois que a posição técnica saiu de esticada na ponta de venda de dólar para neutralidade, com um preço “justo” para a taxa de câmbio em R$ 5,22 por dólar.

Maiores altas:

Banco Inter (+24,83%)
Magazine Luiza (+7,93%)
Locaweb (+7,54%)

Maiores baixas:

Gerdau PN (-2,89%)
BRF (-2,67%)
Iguatemi (-2,14%)

(Com a Reuters)

 

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